terça-feira, 22 de maio de 2018

Sangue Quente - Renascimento


Escorrendo vívido em teus lindos encantos,
Sou sempre feliz deslizando as curvas suas,
Morrendo em ti, sem ter em mim nenhum espanto,
Renasço na luz das fertilidades tuas.

Dizer lhe  assim de pronto que estou você sempre,
Seria só o pecado de redundar,
Sempre nossos corpos só nascem do teu ventre,
Belo milagre que está a nos refundar.

Revolto-me na busca, encontro-me em teus braços,
Ressuscito refeito todo dia em ti homem,
Tudo em mim são apenas os sinais dos seus traços,
Desenhos dádivas tuas que nunca somem.

Não só mato como nós em mim ressuscito,
Todas as vontades plenas do meu viver,
Você é em mim o meu belo melhor grito,
Símbolo perfeito do meu puro querer.

Meu corpo ao teu jugo de todo padece,
Entregue vive repleto deste prazer,
Fundido inteiro ao teu sempre o meu enternece,
Eternas sejam tuas mãos a me fazer.

Na fenda profunda do teu ventre divino,
Embriago-me pleno em todos os teus sumos,
Expio-me curtindo o seu senso felino,
Transformando-me todo em um só humano humos.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Sinto-te Mulher


Teu ventre o desejo no homem pari,
Tua imagem despedaça trapaça,
Tuas palavras o jogam no Safári,
Dos animais indefesos para caça.

Sob teu signo forte frágeis todos miam,
Derrubadas são suas machas defesas,
Brinquedos do subconsciente espiam,
Sem saber submissos as tuas surpresas.

Respondem insensíveis palavras mortas,
Aos apelos, só teus de vida plena,
Falta lhes vida por isso linhas tortas,
Contrapõe tua poesia serena.

Libertas teu fogo se queimam sozinhos,
Mostras tua sede inertes se secam,
Não entendem mulher sem os pergaminhos,
De insuficiência sempre pecam.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Desarmado, de Peito Aberto.

     Morrer é por certo um exercício diário, todas as relações nos jogam ao encontro da morte do nosso orgulho, da extinção da nossa vaidade, destruição da nossa falsa sapiência, sempre caminhamos sem destino, o traçado de nossos passos temos que escrever momento a momento com a paixão que resume a nossa própria vida e particular morte.

     Morrer é por certo a fusão plena no outro no epicentro do furacão carnal, envolvidos em todos os tatos que nos arrepiam, embriagados dos vários cheiros que nos tonteiam, transbordados dos paladares que nos enchem a boca, transmutados por visões que nos perpassam e absortos dos ruídos que nos enlevam, onde nós deixamos de ser unos e distintos para explodirmos no momento em uma nova criatura onipresente.

     Morrer é por certo embebermo-nos dos pensamentos universais sintetizarmos em nós todos os romances já vividos na realidade da ficção, rimarmos no diapasão de todas as poesias por serem ou já escritas cuja sopa de letras simboliza os sentimentos que as compõe, sofrer n’alma as tristezas e alegrias do existir onde sempre seremos a síntese perfeita da humanidade.

     Morrer é por certo a construção permanente da utopia que nasceu desde sempre na nossa comunhão com todos os seres humanos os que deixaram e os que ainda terão seus passos gravados na natureza, sim esta que nos acolhe e cuja parceria nos impele para a transcendência a nos libertar do tempo em uma filosofia universal.

    Morrer é por certo vasculhar suas próprias entranhas, corpo e espírito, na busca eterna do conhecer-se o suficiente para amar-se acima de todas as coisas, e assim o sendo, esparramar como dádiva universal este amor sobre todos os seres vivos animados e inanimados na harmonia de um único corpo místico que compomos por destino.

     Morrer é por certo engajar-se por inteiro na guerrilha santa pela paz universal, combater com furor todas as guerras entre povos, todas as desavenças entre pessoas, todos os interesses pessoais de exploração e poder entre nós outros, buscando nós juntos a caminhada dos libertos que são iguais entre si nas diferenças.

     Morrer é por certo a vocação maior e insistente do ser humano em realizar-se como prazer e felicidade na contradição do nunca precisar e sempre viver no outro, desarmado de peito aberto e que assim o seja para todo o sempre.           

terça-feira, 24 de abril de 2018

Puro Devasso Puro


Puro devasso é cair em teus braços,
Inundar-me todo em desejos de ti,
Nos teus labirintos encontrar espaços,
Desencontrado só saber que te curti.

Devasso puro é ter-te só por amor,
Beber doce-amargo da tua boca,
Sentir corpo arrepiado teu calor,
Coração ungido de batida louca.

Puro devasso, língua na tua pele,
Membros todos meus em permanente tato,
Mar de suores nossos o pacto sele,
Misturados inteiros lindos de fato.

Devasso Puro, entrega dos sentidos,
Elétrico gostoso frio interno,
Maluco somar gostares incontidos,
A nos fundir em um só corpo eterno.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Meu Sétimo Selo


Em mim não existe nada mais obsceno,
Que a fidelidade do amor total,
Pois me rasga o peito e deixa pleno,
Presente sempre em ti a mulher fatal.

Sentidos e músculos eu concateno,
Entrego-me todo teso como varal,
Sensações contidas tal como o feno,
Devoro-me em longo espasmo carnal.

Isolo o mundo por muito pequeno,
Reduz-se tudo em ser você como tal,
Para a dimensão social veneno,
Inexiste assim sansão mais imoral.

Completa só contigo eu contraceno,
Protagonizo em mim você a fatal,
Só cresço onde és tu o meu terreno,
Em você sintetizo meu bem e meu mal.  

terça-feira, 17 de abril de 2018

Sentimento


     Sinto com as mãos, percebo com a língua, imagino com as narinas, penso com os olhos, acredito com os ouvidos e todas estas sensações se fundem no permanente nascer do sentimento, acabo envolvido completamente por ele mexendo com todas as fibras do meu corpo que descontrolado expande-se em direção ao outro, enfim, resumo-me nesta fusão de sentidos transformados em sentimentos.

     Por sorte é infinita minha capacidade de armazenar sentimentos assim posso suportar esta impetuosa cadeia em serie sem romper-me mantendo a unicidade apesar da diversidade de emoções que se sobrepõe, resulta que os humores assim se manifestam não na monótona rotina do ser igual, mas sim na oportuna mostra das diferentes faces de um mesmo ser.

     Permito-me ao risco óbvio dos julgamentos desfigurados por especiais filtros que cada um dos meus iguais utiliza com o fim obvio de colar em minha testa seus rótulos pré-impressos, estes dísticos que pretendem definir-me e apenas conseguem ser uma caricatura tosca de um projeto de ser humano não pelo alvo e sim por incapacidade de compreensão do artista.

     Longe de mim eu considerar que os sentimentos devam ser dominados pela razão ou vice e versa, até por ter sérias dúvidas quanto à existência do que chamamos razão, acredito sim em uma simbiose absoluta entre os sentidos e a reação á eles desenvolvida por este organismo complexo que é o ser humano, o que me permite dizer que deveríamos trabalhar muito mais em cada um de nós o entendimento dos nossos sentimentos.

     O que sei simplesmente é que eles mexem muito comigo influenciando na principal vocação do ser humano que é lançar-se em direção ao outro, das úmidas lagrimas passando pelos frios a percorrer o estomago ou os arrepios e tremores da pele, aos exuberantes sorrisos uma multipolaridade gradua momento a momento a convivência com outros seres humanos aumentando ou diminuindo a empatia e o tamanho dos atritos, positivos ou negativos, que aí imersos na relação se estabelecem.

     Se neste caso a autoanálise já é complicada, imagine, o entendimento da relação como um todo, tudo, mas tudo mesmo, que esta acontecendo de um lado esta ocorrendo no outro, inclusive a soma poderosa dos múltiplos talentos de cada um, torna-se assim a vida uma grande arena na qual o tamanho do desafio exprime-se em nós termos prazer e felicidade.

     Não cabe em tempo nenhum julgarmos nossos sentimentos todos são benéficos na construção interna do nosso ser, conhecê-los entender suas origens e ao que se destinam é o que realmente podem representar um diferencial na busca do nosso equilíbrio interno tornando-nos verdadeiramente nós mesmos.

terça-feira, 20 de março de 2018

De Sangrar não tenho medo


No logro do jogo sanha perde ganha
No lapso do corpo não há calma n’alma
Vai incauta e coliseu não estranha
Já exausta na mão de errada palma.

Dos lobos pretende sair sem ferida
Plantas nesta rinha minha despedida
Apostando tudo na unha comprida
Troca amor por beleza escondida.

Negaceio e nunca entro no jogo
Torcendo pelo sucesso dos teus tentos
Mesmo a perda matando-me em fogo
Tranquilo, não tenho medo do relento.

 Preparado, de sangrar não tenho medo.
Certo de você ser todo meu desejo
Quero-te livre para sempre, não cedo.
Nem que meu coração fique em despejo.