Reduzir-me
ao embuste da luta entre o bem e o mal significa abrir mão da minha natureza
humana, desumanizar-me em favor desta farsa que esconde sede de poder via
manipulação da vontade privando o livre arbítrio, ninguém tem autoridade para
definir e julgar qualquer coisa que seja senão o homem como arbitro de si
mesmo.
Vozes
iradas ecoam por todos os lados vomitando suas malditas verdades com o intuito
de submeterem os outros a seus caprichos e vontades, lhes falta por completo
idoneidade, quem esta com a sua verdade não necessita impingi-la aos outros a
não ser por escusos interesses de espoliação.
Por
certo posso ler minha alma quando aos outros observo em suas falas em seus
escritos, entretanto nada indica que possa entender o que se passa no interior
de quem por meu olhar coleciono fatos externos, para tal necessitaria ter
percorrido o mesmo caminho o que como vida é uma impossibilidade.
Não
existe a dualidade entre bem e mal, nós os seres humanos somos bem mais
complexos, trabalhamos sempre um arco Iris de opções, escolhemos o caminho
adequado às experiências próprias de cada um de nós, e esta coerência conosco
mesmo traduz-se como nossa verdade.
Então
quando alguém aponta seu dedo em direção ao outro o acusando de um caminho
equivocado, nada mais esta fazendo do que se protegendo da ignorância sobre si
mesmo, não temos caminhos a apontar apenas podemos ajudar as pessoas a
entenderem-se melhor a buscarem o prumo entre sua individualidade e sua vocação
para o social, que por certo não é a convivência com um grupo que segue as
mesmas regras e sim a vivência da diversidade através do respeito mutuo.
Nosso
céu existe dentro do nosso inferno sendo diferente de qualquer outro, toda vez
que falamos em nome de uma divindade ou de uma população estamos golpeando a
verdade impomos a nossa como revelação privilegiada de terceiros o que é um
blefe com objetivos claros de obtermos vantagens indevidas.
Esta
guerra entre céu e inferno, não existe, nunca existiu e não existirá a não ser
como usurpação do direito dos outros por imposição de vontades particulares em
busca de vantagens indevidas à custa dos nossos iguais.
Porque
não buscarmos o caminho da convivência das diferenças entre os homens, pelo
respeito à diversidade e a infinita capacidade de homens livres sempre andarem
lado a lado, inteiros por si próprios não necessitam de ter seus irmãos como muletas
para realizarem-se como seres humanos.
Não
precisamos de inimigos, necessitamos de amarmo-nos o suficiente para amar o
outro sem julgá-lo, quem precisa de inimigo é quem conhece sua fraqueza como
ser humano.
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