Noite escura dos
homens em plena cidade luz, não é um momento simples de tristeza, é momento de
desolação de assumirmos a culpa todos, mata-se hoje com a facilidade da
insensatez do homem, este que não consegue conviver com o outro sem a tentativa
de explorá-lo, não é a hora de achar culpados os encontraríamos por todos os
lados, é de reflexão séria sobre o organismo social que todos nós construímos e
de reavaliar criticamente seus doentes fundamentos, rever as relações que
definimos como corretas e por todos os lados vemos que não funcionam só geram
violência.
Transformamos
tudo em um grande show, ora somos os gladiadores, ora somos o público sádico,
aparecemos em postagens nas redes sociais, em manifestações coletivas,
comunicando sentimentos inexistentes através de palavras vazias, em nada
mudamos a postura do nosso dia a dia, continuamos a semear discriminação,
exploração, falta de humanidade nos pequenos atos que empreendemos podemos então
esperar um mundo diferente? Este é o nosso planeta feito a nossa imagem e
semelhança, esta violência somos nós.
Comovemo-nos com
a barbárie, quando ela ocorre em um dos símbolos da gloriosa cultura ocidental
porque não foi conosco, está longe e encaixa no conceito de unanimidade de bom
tom, e quando ela está dentro de nossas casas, na nossa rua, em nosso bairro,
nas nossas salas de aula e de trabalho? Por certo não sendo partícipe, o que
muitas vezes o somos, voltamos o rosto para um ponto indefinido para o nada e
nem mesmo a vemos, de tanto mentirmos para nós mesmos acreditamos que o inferno
são os outros.
Construímos leis
para dobrar a coluna do homem de bem o submetendo ao flagelo do interesse
minoritário da avareza, regulamos relações entre nações pela força do dinheiro
ilegítimo que compra os seus exércitos com suas armas, celebramos acordos nas
comunidades locais para justificar ter serviçais no nosso dia que mais parecem
prisioneiros de guerra, discriminamos pela cor, pelo gênero, pelo aspecto, pela
cultura, por simples diferenças artificialmente criadas com intuito de manter
uma elite.
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