sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Hombridade Maculada

     Cara a cara recebo o pedido dela, reajo como um raio, na velocidade de uma faísca felicidade instantânea, eu gosto de ser solicitado, sempre tem um “porém” lembrei-me que o tinha tentado instantes antes em outra situação similar e falhara, martelava-me a dúvida sobre a possibilidade de sucesso a afasto contrapondo comigo mesmo que independente de qualquer restrição imaginável eu deveria tentar, por óbvio que nesses poucos instantes perpassaram em meus pensamentos as inúmeras possibilidades e suas consequências.

     Percebi em seu semblante a confiança de que eu poderia corresponder às expectativas, o mesmo estava belo, com um sorriso fácil, manifestando a certeza de um momento antecipadamente bem resolvido, o que ampliou a minha preocupação com a hipótese de uma possível falha, não gostaria de ser responsável por uma reviravolta no estado de espírito dela que agora me encantava.

     Admito certa alteração nos meus nervos, nada que pudesse transparecer para as pessoas ali presentes, me dominava aquele friozinho que nos atravessa por dentro nessas horas, o coração batia em compasso dessincronizado no tempo, o sangue expandia-se nas artérias por todos os membros, todas aquelas boas coisas que nos acontecem em relação aos outros ali estavam presentes em mim.

     Por outro lado ela estava apressada, não queria perder a oportunidade, tinha compromissos na sequência e certamente inadiáveis, admito que essa afirmação seja apenas uma suposição minha, mas só posso contar a história como ela acontece do meu lado e assim o estava vendo como uma oportunidade afinal minha aspiração era a realização do desejo dela.

     Deslocamos-nos afastando-nos da companhia dos amigos para um local reservado, a caminho a preveni que talvez não o conseguisse que tinha precedente, mas que não custava tentar, ainda bem que o fiz, pois realmente a lógica imperou, neguei fogo, falhei vocês sabem como nos desequilibra um momento desses, saber que lhe necessitam, que lhe querem e na hora H não ter a resposta, minha hombridade estava maculada.


     Aqui estou a contar-lhe isto agora que tomei todas as precauções, mantenho sempre meu bom zippo bem alimentado de fluído, voltei a usar um isqueiro desses descartáveis de reserva na minha mochila, assim penso em evitar em definitivo esses fiascos e nunca mais deixar na mão uma amiga com muita vontade de fumar.

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