Estou frente a
frente a uma teia de aranha com sua bela arquitetura construída entre dois
galhos de árvore, observo o labor desse animal ao construir sua armadilha destinada
a suas incautas vítimas que corresponde a sua sina predadora ou quem sabe para se
proteger dos seus inimigos por ocasião da troca da casca durante o crescimento,
tenho certeza de que esse animal sabe exatamente o que esta fazendo.
Lembrei-me do
intrincado emaranhado de argumentos que montávamos em busca de um discurso
coletivo, sim acreditei e muito nos movimentos de mudança, leitor assíduo de
bases sociológicas e psicológicas a justificarem movimentos de massa, palavras
de ordem que nos protegiam pela construção dos limites do que planejávamos ser
o caminho de uma sociedade justa.
Também observo
uma colmeia, um formigueiro e seus integrantes envolvidos no trabalho coletivo,
especializados em diversas funções partindo da segurança passando pela busca de
alimentos chegando aos serviços domésticos com os cuidados dos recém-nascidos e
da rainha, cada elemento tem sua função para concluir o trabalho coletivo.
Não tenho nenhuma
dúvida de que o homem que hoje sou só o é por causa de todo caminhar anterior,
e este cara que vocês enxergam percebeu que qualquer movimento onde o indivíduo
submete-se ao todo resulta sempre em uma simples troca de figuras, nunca em uma
mudança real mesmo que apresente inúmeras conquistas sociais, construída sobre
bases insuficientes insistirá em manter o paradigma de exercer poder com suas
próprias tábuas da lei.
Nesses devaneios oriundos
do simples observar da natureza, onde vendo os aracnídeos lado a lado cada qual
com sua teia formando no conjunto de todas essas construções uma comunidade, por
outro lado no exemplo das formigas, das abelhas, onde
todos trabalham em função de uma rainha, confesso caso tenha que escolher um
modelo minha opção será sempre pelo primeiro.
Criem-se as
condições de o homem construir-se e teremos o alicerce da sociedade justa, onde
desnecessárias serão as leis, dispensáveis serão os líderes com suas estruturas
de poder, homens livres e justos podem caminhar lado a lado sem limites que não
o tempo, sem defesas que não o simples existir, eles mesmos constituirão o argumento.
Geramos a
linguagem com suas duas faces do mesmo, em uma o fantástico que representa a
capacidade de sua descoberta para articularmos nossa comunicação, na outra a
impossibilidade de sintonizar quem fala com quem ouve, somos todos mudos, somos
todos surdos, pode-se chegar ao ajuste fino deste diálogo de surdo-mudo desde
que trabalhemos muito não as palavras sim a relação.
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