quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Rastro de Enganos

     Estou frente a frente a uma teia de aranha com sua bela arquitetura construída entre dois galhos de árvore, observo o labor desse animal ao construir sua armadilha destinada a suas incautas vítimas que corresponde a sua sina predadora ou quem sabe para se proteger dos seus inimigos por ocasião da troca da casca durante o crescimento, tenho certeza de que esse animal sabe exatamente o que esta fazendo.

     Lembrei-me do intrincado emaranhado de argumentos que montávamos em busca de um discurso coletivo, sim acreditei e muito nos movimentos de mudança, leitor assíduo de bases sociológicas e psicológicas a justificarem movimentos de massa, palavras de ordem que nos protegiam pela construção dos limites do que planejávamos ser o caminho de uma sociedade justa.

     Também observo uma colmeia, um formigueiro e seus integrantes envolvidos no trabalho coletivo, especializados em diversas funções partindo da segurança passando pela busca de alimentos chegando aos serviços domésticos com os cuidados dos recém-nascidos e da rainha, cada elemento tem sua função para concluir o trabalho coletivo.

     Não tenho nenhuma dúvida de que o homem que hoje sou só o é por causa de todo caminhar anterior, e este cara que vocês enxergam percebeu que qualquer movimento onde o indivíduo submete-se ao todo resulta sempre em uma simples troca de figuras, nunca em uma mudança real mesmo que apresente inúmeras conquistas sociais, construída sobre bases insuficientes insistirá em manter o paradigma de exercer poder com suas próprias tábuas da lei.

     Nesses devaneios oriundos do simples observar da natureza, onde vendo os aracnídeos lado a lado cada qual com sua teia formando no conjunto de todas essas construções uma comunidade, por outro lado no exemplo das formigas, das abelhas, onde todos trabalham em função de uma rainha, confesso caso tenha que escolher um modelo minha opção será sempre pelo primeiro.

     Criem-se as condições de o homem construir-se e teremos o alicerce da sociedade justa, onde desnecessárias serão as leis, dispensáveis serão os líderes com suas estruturas de poder, homens livres e justos podem caminhar lado a lado sem limites que não o tempo, sem defesas que não o simples existir, eles mesmos constituirão o argumento.     

     Geramos a linguagem com suas duas faces do mesmo, em uma o fantástico que representa a capacidade de sua descoberta para articularmos nossa comunicação, na outra a impossibilidade de sintonizar quem fala com quem ouve, somos todos mudos, somos todos surdos, pode-se chegar ao ajuste fino deste diálogo de surdo-mudo desde que trabalhemos muito não as palavras sim a relação.

     Com a linguagem perdemos a empatia de comunicarmo-nos plenamente pelos sentidos e encontramos o rastro de enganos que entre nós distribuímos pela lógica e seus argumentos, imagem fantasma e falsa do que realmente pretendemos. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário