segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Decididamente Não Sei!

     Espera minha cara amiga necessito um pouco da tua paciência, desabam espaços sob os meus pés, não minha princesa, não estou bêbado, realmente o chão não mais é apoio confiável, rebelou-se por completo fazendo o que bem entende dando adeus ao meu equilíbrio, já sei vais dizer-me que estou exagerando, que estou lendo demais, desperdiçando meu tempo com pensamentos desnecessários, talvez até frequentando cinemas em exagero, valha-me deus este mesmo que inexiste, preciso de um ponto de apoio para poder ajudar a segurar a terra.

     Nada de confusões não sou candidato a super-herói ou à Atlas, para ser mais exato não sou candidato a nada, nem mesmo a um espaço em teu coração embora talvez o sonhe, apenas me credencio ao simples “Existir” este assim com letra maiúscula mesmo, não o que os dicionários traduzem por “ter existência real, ter presença viva, viver, ser”, a questão da vida que aí aparece não permite dúvidas o medo da morte a confirma, porém “real”, “presença” e “ser” são palavras por demais fortes para poderem ser aceitas assim ao sabor do vento.

     Se for para me jogar palavras pode deixar, quem as precisa? São fantasias puras nem mesmo podem ser entendidas da mesma maneira por mais de um ser humano, o que quero é poder olhar-te por inteira, observar um a um os detalhes de teu gesto, não só de olhos também de boca e língua, de nariz, de ouvido, de mãos e pele, cansei-me dos conceitos que apenas me afastam de ti, quero os sentidos que nos aproximam.

     Embora desconhecendo o autor da frase a “poesia fala dos mortos”, pois o poeta necessita matar seu objeto de paixão para sofrer o falar com o sonho inatingível, e assim construir sua musa, sem discriminação de gênero à imagem e semelhança de sua alma, inventando o amor, afaste-se de mim essa tentação intelectual coroe-me com a realização plena do meu corpo dos meus sentidos.


     Decididamente não sei se posso ser real a esse ponto extremo, que muito o desejo não duvide, espero não ser imagem modelada por outrem, sim a própria vida passo a passo construída e partilhada com todos que encontro no meu caminho, verdades do corpo são as mesmas do espírito e esta unidade em sua preservação deve ser resultado de nosso constante zelo, fica então a pergunta contigo nesta empreitada conto? 

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