Desafio a ser
entendido, é a provocação que me traz, a constatação da quantidade de esforços
identificados em pessoas e organizações objetivando o alcançar a
eternidade, essa transcendência ao tempo sonhada por tantos e intensamente
desejada por muitos tem algo de vazio em si mesma, o próprio desconhecimento do
que seria “não ter começo nem fim”, sempre a vejo mais como medo da morte do
que como uma aspiração propriamente dita.
Recolhendo as
mensagens das diversas manifestações de fé identificamos a eternidade para os
“Bons” como a permanente convivência com Deus, sua principal atração, bônus
valiosíssimo e exclusivo benefício, ao contrário para os “Maus” o castigo seria
ausência dessa presença o que traria a infelicidade absoluta.
Poderia ler e
reler então todos os livros escritos, ver e rever todos os filmes, ter todas as
relações que quisesse, mas o que realmente me motivaria sem o tempo? Como o
sabemos ele nos seduz dando significado à vida, a atemporalidade é a própria
morte, ou seja, a vida eterna é em verdade a morte infinita, a própria chatice.
Através dos
tempos desde a antiga Grécia, sempre que pensamos no ser humano o vemos como agregação
de diferentes camadas, corpo & alma (ou espírito como queiram) duas
entidades que formam um ser único indissolúvel já no início do renascimento
Descartes, por exemplo, trabalhou muito bem esse tema com sua linha filosófica
a favor desta dualidade.
Na parceria do corpo
e da alma que segundo os cânones das organizações com foco no espírito, voltam
a unir-se na eternidade, qual o corpo que escolho, da pureza da criança, da
rebeldia do adolescente, da disciplinada maturidade, do final da existência, ou
quem sabe com um pouco de “photoshop” encarnar a sonhada criatura dos meus
devaneios.
Penso sempre na cadeia
de vida que nosso corpo gera mesmo na morte, a partir de sua decomposição, essa
sim condicionada no tempo que inclusive a define, falo dela não como
propriedade individual de alguém, e sim como propriedade da existência dos
seres vivos e sua constante troca de energia, o que não é diferente para o
espírito, que também antes e depois da falta de suporte do nosso corpo segue
com as pessoas a quem tivemos o prazer de mostramo-nos e levam consigo as
marcas desse nosso encontro, que mais necessitamos almejar além desse marco que nos define como síntese do passado e parte
do futuro.
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