quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Modorrenta Eternidade.

     Desafio a ser entendido, é a provocação que me traz, a constatação da quantidade de esforços identificados em pessoas e organizações objetivando o alcançar a eternidade, essa transcendência ao tempo sonhada por tantos e intensamente desejada por muitos tem algo de vazio em si mesma, o próprio desconhecimento do que seria “não ter começo nem fim”, sempre a vejo mais como medo da morte do que como uma aspiração propriamente dita.

     Recolhendo as mensagens das diversas manifestações de fé identificamos a eternidade para os “Bons” como a permanente convivência com Deus, sua principal atração, bônus valiosíssimo e exclusivo benefício, ao contrário para os “Maus” o castigo seria ausência dessa presença o que traria a infelicidade absoluta.

     Poderia ler e reler então todos os livros escritos, ver e rever todos os filmes, ter todas as relações que quisesse, mas o que realmente me motivaria sem o tempo? Como o sabemos ele nos seduz dando significado à vida, a atemporalidade é a própria morte, ou seja, a vida eterna é em verdade a morte infinita, a própria chatice.   

     Através dos tempos desde a antiga Grécia, sempre que pensamos no ser humano o vemos como agregação de diferentes camadas, corpo & alma (ou espírito como queiram) duas entidades que formam um ser único indissolúvel já no início do renascimento Descartes, por exemplo, trabalhou muito bem esse tema com sua linha filosófica a favor desta dualidade.

     Na parceria do corpo e da alma que segundo os cânones das organizações com foco no espírito, voltam a unir-se na eternidade, qual o corpo que escolho, da pureza da criança, da rebeldia do adolescente, da disciplinada maturidade, do final da existência, ou quem sabe com um pouco de “photoshop” encarnar a sonhada criatura dos meus devaneios.


     Penso sempre na cadeia de vida que nosso corpo gera mesmo na morte, a partir de sua decomposição, essa sim condicionada no tempo que inclusive a define, falo dela não como propriedade individual de alguém, e sim como propriedade da existência dos seres vivos e sua constante troca de energia, o que não é diferente para o espírito, que também antes e depois da falta de suporte do nosso corpo segue com as pessoas a quem tivemos o prazer de mostramo-nos e levam consigo as marcas desse nosso encontro, que mais necessitamos almejar além desse marco que nos define como síntese do passado e parte do futuro. 

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