domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Geração de Guetos

     Sempre foi assim, sempre precisamos construir nossos guetos, guerreamos com não cristãos nas cruzadas, caçamos as bruxas na inquisição, prendemos e exportamos comunistas na repressão, é assim que funciona o Ocidente buscando inimigos, o adversário da vez é o fumante, que colocado como câncer social cumpre o papel que o leproso vivia na idade média, oportunizando nas ruas a realização pessoal de agressividade que o ser humano insiste em usar no lugar do bom senso.

     A nova lei antifumo, legítima pantomima do mostrar serviço de um estado que para se distrair, visto que é incapaz de produzir bem-estar, dedica-se a controlar os cidadãos intermediando suas relações, processo absolutamente desnecessário, pois fumantes e não fumantes têm perfeitas condições de negociar eles próprios seus espaços, suas relações sociais e sempre foi assim, sempre as diversidades são resolvidas apenas com a boa vontade dos envolvidos.

     Não se necessita nada mais do que respeito, o que adquirimos pelo conhecimento não por decreto, para resolver o que a lei não solucionará os argumentos usados para intervenção direta sobre o viver do cidadão não passam pelas validações mais simples, tipo quantos tabagistas necessitamos para gerar morte passiva no mesmo tamanho de um simples veículo que passa pela rua bem na nossa frente despejando sua descarga poluente, por certo nossa cidade entupida de carros necessitaria algo do tamanho de uma China em números de fumantes para causar o mesmo efeito da multidão de automóveis que circulam inocentes, claro não posso brigar com automóveis é mais fácil brigar com pessoas.

     Não pretendo nem entrar no mérito das intermediáveis agressões à saúde humana, geradas a cada dia pela economia do lucro fácil com seu continuado desrespeito ao ser humano, esta sociedade, dita da “livre iniciativa”, continuadamente exercita seu poder de criar seres humanos doentes física e espiritualmente, com a complacência dos mesmos poderes constituídos.


     Não escrevo estas linhas para defender ou atacar leis particulares como essa, mas sim para combater esta máquina cruel montada para manipulação da sociedade através de pueris distrações, como a lei comentada, escondendo o seu grande objetivo que é manter a escravidão de todos nós em benefício de poucos homens livres (se estes realmente existem), e assim continuamos como dantes vivendo de pão, circo e acreditando que somos senhores de nós mesmos. 

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