sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Na dança das cores

   Navegando do preto, ausência de todas as cores e como tal tem a beleza de todas, pois as absorve, até o branco onde a presença de todas as cores possibilita que as reflitam, convivemos em uma sociedade onde um espetacular arco-íris marca sua presença através de um mesmo ser humano diversificado em sua pigmentação por sua adaptação na própria pele humana aos diversos comportamentos da natureza, nada nos diferencia no essencial apenas no transitório e isto é o pote de ouro que a lenda diz estar na origem deste arco-íris.

    Difícil entender como as diferentes transformações por que passaram os seres humanos durante seus muitos anos de convivência com diversos níveis de exposição a raios ultravioletas pode ser parâmetro de segregação, propiciam perseguições covardes a grupos e indivíduos, quando na verdade deveriam gerar orgulho de nossa capacidade não só de mudarmos nossos pigmentos como transferirmos geneticamente os mesmos à nossa prole como um conhecimento a ser repassado.

     Não posso furtar-me a uma manifestação clara contra o preconceito, os cinco sentidos me permitem ver a beleza do homem em todas suas cores, ouvir a graça dos sons emitidos por diferentes tons, cheirar os perfumes das diferentes peles, apalpar as diferentes densidades e anatomias, saborear o gosto que nos oferece a natureza especial de cada um.

     A falta de preparo intelectual, que nos humilha por sua mediocridade, aparece plena na intolerância da cultura dos slogans, no policiamento dos comportamentos, no cerceamento da liberdade do indivíduo e muito mais na exclusão social dos desfavorecidos, o que vemos é um grupo social disposto sempre a atirar a primeira pedra, no grande espetáculo global de apedrejamento que se tornou este mundo globalizado, onde a maioria sempre forma-se em torno de um pseudo politicamente correto para expurgar seus pecados nas costas do outro.


     Por aqui neste nosso Brasil, não nos vejo diferentes, e precisamos com urgência, partindo de cada um em iniciativa pessoal e intransferível trilhar o caminho da busca da cultura, sem esperarmos por iniciativa de outrem, dar o primeiro passo, pois desde sempre o todo depende da parte e cada célula tem o seu papel a cumprir, sem esperar ou cobrar do outro qualquer coisa, só a cultura extermina o preconceito e possibilita o nascimento do homem por inteiro.

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