Quando escutei
"Cara sou sua alma gêmea, penso igual a você", de imediato reagi, meu
amigo a igualdade nos debilita, a diversidade nos fortalece, preciso que você
raciocine do seu modo e não como eu, só assim podemos somar valor, eu concordo,
sempre haverá intersecções, pontos de vista que se encontram, mas o que expande
o espírito humano é o que eu não pensei o que não lhe havia ocorrido o que um
terceiro nos oportunizou.
Porque me vem à
lembrança isso hoje? Boa pergunta, talvez o pós-eleição com seus resultados
previsíveis e não desejados, ou quem sabe apenas a visualização de tantas
unanimidades tão bem definidas como burras pelo nosso grande Nelson Rodrigues,
o todo sempre é heterogêneo e como tal funciona, nosso corpo traz em si essa
lição quando uma mesma célula original divide-se em milhares de células
especializadas, cada uma apreendendo sua função e vivendo-a na prática e assim
garantindo o funcionamento do todo.
Seguiu o
interrogatório: "Então por que escreves? Por que disponibilizas para todos
teus escritos?". Não fugi de responder, passei a explicar a ideia de que
por princípio somos semente, apreendemos e passamos adiante nosso conhecimento então
"c'est fini", quer dizer, aí termina nossa missão, essa é a regra básica
da natureza vive-se para entender mentalmente a vida e passar adiante a
descoberta, para escrever necessito refletir e publicando faço minha parte e
justifico meu existir.
Não satisfeito
largou de primeira: "Por que dedicas tuas horas à leitura?". Não
titubeei, lendo busco provocar-me, encontrar espaços internos, oportunidade de
vasculhar os inúmeros buracos negros ainda virgens em mim existentes,
interessante como uma frase, uma palavra, um momento, desencadeia frenéticas
pesquisas, movimenta uma complexa rede de interligações e permite preencher uma
lacuna antes vazia na minha construção filosófica.
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