sexta-feira, 19 de setembro de 2014

De pernas para cima!

       Acordei e finalmente reencontrei-me com a civilização, na cozinha a barata com suas finas e delgadas pernas, confortavelmente deitada de costas, debatia-se, mexendo-as entre a vida e a morte, realmente era a prova de existência e a mostra da civilização que aí esta.

     Meu software interno de imediato chamou-me atenção para Kafka, acordando e vivendo sua metamorfose, enquanto deliciava-me com esses pensamentos, em paralelo, de maneira concorrente foi me lançado Raul Seixas, sim metamorfose ambulante, Raul Seixas o homem das cobras e aranhas que coitadas realmente não têm culpa nenhuma de eu ter visto uma barata agonizante.

     Vocês estão dizendo, vejam como este cara está confuso, ele mistura todas as coisas, acostumados que estamos em ver a reta como melhor caminho entre dois pontos, ilusão esta que o tempo sempre destrói nos trazendo a realidade do que não podemos entender.

     Enquanto essas tarefas executavam-se em paralelo na minha mente, a inteligência das pessoas envolvidas iluminava a imagem de Lucy, não exatamente a imagem da mulher, bonita e muito boa atriz por sinal, e sim o tema recorrente da ficção inteligente, olha aí novamente o Senhor Tempo, que tão bem trabalha o roteiro do filme.

     Seria impossível enumerar aqui a quantidade de interelações que conseguimos trabalhar, as histórias paralelas que vivenciamos em nosso cérebro, quando os confrontamos com os ridículos dez por cento que nos dignamos a utilizar, assim pensei retornando ao filme.

     Lembrei-me de que não sei se antes, durante ou depois de Proust, quando se defronta com o passado e o presente disputando em seu ser o mesmo espaço, brigando segundo a segundo um som lembra outro não se sabe mais qual se ouve, vemos uma paisagem, vemos outra, não sabemos em qual tempo estamos vivendo certamente nos dois simultaneamente.

     Sim amigos nós precisamos domar o tempo e para tal fugirmos destes malditos “dezporcento” que insistimos em como limite colocar na nossa capacidade de viver.     

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