Acordei e
finalmente reencontrei-me com a civilização, na cozinha a barata com suas finas
e delgadas pernas, confortavelmente deitada de costas, debatia-se, mexendo-as
entre a vida e a morte, realmente era a prova de existência e a mostra da civilização
que aí esta.
Meu software
interno de imediato chamou-me atenção para Kafka, acordando e vivendo sua
metamorfose, enquanto deliciava-me com esses pensamentos, em paralelo, de
maneira concorrente foi me lançado Raul Seixas, sim metamorfose ambulante, Raul
Seixas o homem das cobras e aranhas que coitadas realmente não têm culpa
nenhuma de eu ter visto uma barata agonizante.
Vocês estão
dizendo, vejam como este cara está confuso, ele mistura todas as coisas,
acostumados que estamos em ver a reta como melhor caminho entre dois pontos,
ilusão esta que o tempo sempre destrói nos trazendo a realidade do que não
podemos entender.
Enquanto essas tarefas
executavam-se em paralelo na minha mente, a inteligência das pessoas envolvidas
iluminava a imagem de Lucy, não exatamente a imagem da mulher, bonita e muito
boa atriz por sinal, e sim o tema recorrente da ficção inteligente, olha aí novamente
o Senhor Tempo, que tão bem trabalha o roteiro do filme.
Seria impossível
enumerar aqui a quantidade de interelações que conseguimos trabalhar, as
histórias paralelas que vivenciamos em nosso cérebro, quando os confrontamos
com os ridículos dez por cento que nos dignamos a utilizar, assim pensei
retornando ao filme.
Lembrei-me de que
não sei se antes, durante ou depois de Proust, quando se defronta com o passado
e o presente disputando em seu ser o mesmo espaço, brigando segundo a segundo
um som lembra outro não se sabe mais qual se ouve, vemos uma paisagem, vemos
outra, não sabemos em qual tempo estamos vivendo certamente nos dois
simultaneamente.
Muito bom, sempre o tempo....
ResponderExcluirE o senhor sempre gentil, gracias ...
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