Tenho conversado
com o pessoal neste momento que antecede as eleições, tenho ouvido mais
justificativas de exclusão, estamos falando cada vez de mais pessoas a explicar
seu voto pela exclusão de outrem do que pela opção consciente por um candidato,
não creio que o problema seja das pessoas a concorrer ou dos partidos
disputantes e sim uma questão sistêmica.
Bom, senhores, constatado
que o espírito é o de buscar o “dos males o menor”, ficamos dependentes de
resultados improváveis na próxima gestão, não estamos procurando a calmaria e
sim fugindo da tempestade, merece o assunto certamente outra abordagem, não a
analise dos candidatos, não o estudo dos partidos e sim o sistema político
"democracia representativa" ainda atende as necessidades do mundo
atual.
Parece-me muito
misterioso que todas as discussões sobre governo estão a mais de duzentos anos
em torno do mesmo eixo, anarquismo, socialismo e democracia, a humanidade
discute desde sempre até hoje o fim do direito divino, o que vamos admitir foi
uma solução muito bem construída pela revolução francesa e os pensadores da
época.
Estaremos
perdendo nosso momento na história, trabalhando sobre uma unanimidade que tem
se mostrado insuficiente, não funcionando como resposta as necessidades de
gestão das nossas comunidades, estaremos condenados a perder a oportunidade de
construímos outra ideia de autogestão da sociedade humana.
O quadro
assemelha-se ao da avestruz colocando a cabeça na toca: não enxerga nada, mas
todos a veem, assim não enxergamos o quanto estamos de todo vulneráveis a um
sistema político que não aceita contraponto instala-se como verdade absoluta e quem
o contesta é visualizado como um doente social, um herege
enfeitiçado pelas forças do mal.
Hoje vamos votar,
sim o faremos, mas precisamos urgentemente colocar na mesa a busca de um novo contrato
social, caso não o obtivermos nos condenaremos a acelerar a negação da alma
humana e sua aviltante degradação.
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