terça-feira, 23 de setembro de 2014

Entre o singular e o plural

     Gosto de mulher, no plural, poderia gostar de homem? Certamente que sim e até optado por ser bissexual, escolha bastante comum na década de 1960, foi uma decisão particular minha que independe de conceito de bem ou mal como qualquer outra decisão que tomamos e vamos em frente, isto é, assumimos e assim o fazem as mulheres e os homens.

     Insisti acima com o “gosto de mulher no plural” o que vale para quem escolheu outro modelo de relação também, pois mesmo tendo apreço a quem no dia a dia decide-se a abortar novas relações com outros parceiros, admito que a mim não pareça natural, uma pessoa no singular não pode preencher a gama de interações que me são necessárias, por isso mais importante do que a opção tomada é o plural que me encanta e me atrai certo que também não poderei ser único a completar uma mulher.

     Assim vejo os homens e as mulheres fazendo suas escolhas e os estimo e respeito em primeiro lugar por terem escolhido, pois decisões são sempre corretas independente do caminho tomado, já dizia Descartes o importante não é decisão tomada, mas o ato de decidir.   

     Não sou médico, não sou psicólogo, logo apenas manifesto-me sobre o que é para mim o tema, não estamos falando de genética, não estamos falando de circunstâncias especiais de vida, não estamos falando de anomalias, estamos falando apenas de definir o gostar, buscar seu espaço particular de afetividade, buscar um modelo de relação com os outros que não necessita ser apoiado nem criticado, tão somente respeitado.

     O homem livre, o ser humano independente do sexo, constrói sua rede de relações de maneira individual, prepara-as e aperfeiçoa-as à sua maneira sem que interferência externa alguma o possa modificar, ele edifica seus sentimentos, seus alvos do gostar, como opção tomada no somatório de todos os instantes de sua vida, reassumindo-os a todo o momento.

     Obviamente que o entorno o obriga a posicionar-se, porém não o modifica, apenas oportuniza o escolher, livre e independente dos caminhos assumidos no passado, uma sempre nova decisão, seus e só seus são os caminhos e a felicidade que deles advêm.


     Quando aceito o individual de cada escolha obrigatoriamente eu como ser humano estou desautorizando qualquer possibilidade de não aceitação, de crítica, de preconceito, e não só como também a simples ideia de colocar em questão ou de analisar uma escolha de outrem não é admissível, pois só a estes compete decidir e analisar suas opções.

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