Gosto de mulher,
no plural, poderia gostar de homem? Certamente que sim e até optado por ser
bissexual, escolha bastante comum na década de 1960, foi uma decisão particular
minha que independe de conceito de bem ou mal como qualquer outra decisão que
tomamos e vamos em frente, isto é, assumimos e assim o
fazem as mulheres e os homens.
Insisti acima com
o “gosto de mulher no plural” o que vale para quem escolheu outro modelo de
relação também, pois mesmo tendo apreço a quem no dia a dia decide-se a abortar
novas relações com outros parceiros, admito que a mim não pareça natural, uma
pessoa no singular não pode preencher a gama de interações que me são
necessárias, por isso mais importante do que a opção tomada é o plural que me
encanta e me atrai certo que também não poderei ser único a completar uma
mulher.
Assim vejo os
homens e as mulheres fazendo suas escolhas e os estimo e respeito em primeiro
lugar por terem escolhido, pois decisões são sempre corretas independente do
caminho tomado, já dizia Descartes o importante não é decisão tomada, mas o ato
de decidir.
Não sou médico,
não sou psicólogo, logo apenas manifesto-me sobre o que é para mim o tema, não
estamos falando de genética, não estamos falando de circunstâncias especiais de
vida, não estamos falando de anomalias, estamos falando apenas de definir o gostar,
buscar seu espaço particular de afetividade, buscar um modelo de relação com os
outros que não necessita ser apoiado nem criticado, tão somente respeitado.
O homem livre, o
ser humano independente do sexo, constrói sua rede de relações de maneira
individual, prepara-as e aperfeiçoa-as à sua maneira sem que interferência
externa alguma o possa modificar, ele edifica seus sentimentos, seus alvos do
gostar, como opção tomada no somatório de todos os instantes de sua vida,
reassumindo-os a todo o momento.
Obviamente que o
entorno o obriga a posicionar-se, porém não o modifica, apenas oportuniza o escolher,
livre e independente dos caminhos assumidos no passado, uma sempre nova decisão,
seus e só seus são os caminhos e a felicidade que deles advêm.
Quando aceito o
individual de cada escolha obrigatoriamente eu como ser humano estou
desautorizando qualquer possibilidade de não aceitação, de crítica, de
preconceito, e não só como também a simples ideia de colocar em questão ou de
analisar uma escolha de outrem não é admissível, pois só a estes compete
decidir e analisar suas opções.
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