segunda-feira, 25 de abril de 2022

Revivendo Sartre versus Camus. os 50 Tons da Esquerda.

 

                Uma ideia sobre a sociedade humana depende em tudo das contingências vividas por quem as manifesta, nesta complexidade que vivemos hoje, ponho meus olhos sobre os vários posicionamentos da esquerda e de imediato lembro do relacionamento no tempo entre Sartre e Camus.

 

                Por privilégio tive o prazer de ler a obra de ambos bem como a de Simone Beauvoir terceira parte ideológica na vida de ambos, uma amizade estabeleceu-se por inteiro de imediato entre os três por seu pensamento filosófico posicionado e engajado á esquerda mundial.

 

                Enquanto o mundo se batia na questão do colonialismo francês na Argélia e da questão russa referente ao comportamento de Stalin, mesmo permanecendo ambos a esquerda, suas ideias defendidas com intransigência os levaram da camaradagem a inimizade.    

 

                Não me parece tão difícil entender seus posicionamentos em diferentes tons de esquerda se considerarmos antes da ideia as contingências de cada um, Camus argelino emergindo da pobreza e Sartre oriundo da classe média francesa, por certo de ambos os lados houve esquecimento de entender a história.

 

                Quando olho hoje para estes meados do século passado só consigo ver a grande contribuição de ambos para a humanidade através de seus escritos e sua filosofia que somados a dignificam e em nenhum caso justificam o seu desentendimento a nível pessoal.

 

                Não é necessário explicar-lhes porque toco neste tema como reflexão sobre os posicionamentos diversos da esquerda sobre o episódio político brasileiro atual e a questão militar ucraniana.

 

                Estamos inclinados a repetir desavenças pessoais no campo da esquerda, batendo na mesma tecla daquela época, uma busca do protagonismo de cada corrente sem a sensatez de entender as condições que condicionaram cada uma.   

 

                Sempre existirão vários tons de esquerda e tão somente sua soma é que nos levará a sociedade livre e justa que todos sonhamos, a questão não é aderir a uma corrente e sim tirarmos o melhor proveito de seu conjunto de ideias e unirmo-nos na inadiável construção da nova humanidade.  

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