sexta-feira, 29 de abril de 2022

A Sombra da Morte da Poesia Soterrou o Primeiro de Maio.

                Na mesma cova rasa onde jaz a paz universal representada pelo primeiro de janeiro, enterramos o dia do trabalhador simbolizado pelo primeiro de maio, por nossa falência em poesia, por perdermos a capacidade de sonhar.  

 

                Quem pode aventurar-se nos caminhos dos devaneios, assim embebido nesta máquina de forçar movimentos, aparelhados por regras pré-definidas de poder, onde se faz por fazer, sem entender os benefícios a obter para a humanidade.

 

                Se em cada momento do nosso esforço não percebemos o novo que ao final da cadeia construímos para os seres humanos e para a natureza, condenamos a ser indecoroso o ato de trabalhar.   

 

                Destruída a dignidade do trabalho, transformamos em morto-vivo o trabalhador, vira peça de engrenagem substituível e sem valor, simples escravo das premências da sobrevivência.

 

                O trabalhador justifica-se prazeroso sempre que irmanado faz parte da construção de um mundo novo e melhor, para tal é vocacionado, em tal situação não necessita ser motivado ou incentivado, realiza-se pela poesia da própria obra.

 

                Não há dúvidas que o modelo atual fracassou, hierarquizado é fonte inesgotável de desperdício do esforço humano, gerando mais lixo do que utilidade, criando homens doentes em lugar de saudáveis, destruindo a natureza em vez de vivencia-la.

 

                Trans valorar todos os procedimentos associados a produção de riquezas á partir de criativas construções disruptivas com participação protagonista do trabalhador é o desejado caminho.

 

                O Trabalho é um ato voluntário, nunca obrigação de subsistência, o trabalho é engajamento na ficção do viver, nunca cadeia de consumo, o trabalho é celebração de irmandade no altar comunitário.  

 

                Urge ressuscitar o primeiro de maio, reconstruir o orgulho do trabalhador, permitir-lhe a consciente autoria da construção da utopia, para como humanidade festejarmos a grande magia que é a vida. 

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