Medo da
pandemia, medo da falta de emprego, medo da fome, medo da violência da bala
perdida, medo da violência marginal ou oficial, medo da discriminação, medo dos
poderosos, nos roubaram a dignidade e nos deixaram o medo, nada mais que morte
em vida.
Na
juventude li um livro que me marcou por todos estes anos “Medo à Liberdade” de
Erich Fromm, em nosso país a repressão se instalou em seu pretenso
descobrimento e nunca mais nos abandonou, em maioria temos medo à liberdade e
nos submetemos as forças colonialistas e seus representantes.
Grande
parte da população clama por um deus raivoso e punitivo, que à escravize aos
seus dogmas, e a recompense com a falsa segurança que lhe traz, o não pensar, o
não decidir, o tão somente seguir, malditos são os falsos profetas que a
explora em nome desta sua fraqueza.
Grande
parte da população é diariamente compelida a aquietar-se frente a violência
deste falso jogo de bandido e mocinho, com suas balas perdidas, com suas
brigadas justiceiras, em verdade farinha do mesmo saco com etiquetas
diferentes, ora traficantes, ora milicianos, ora policiais militares.
Grande
parte da população foi subliminarmente seduzida desde a infância por uma falsa
história nacional contada em cada lar, em cada escola, louvando os
exploradores, os militares, os colonialistas, por sua capacidade de tomar a
força a liberdade de existir em nome de falsos conceitos de deus, família e
propriedade.
Nos
impuseram por formação deficiente e por violência um regime onde a maioria deve
pagar as contas da minoria, sob pena de não o fazendo serem condenadas ao
extermínio, criaram uma sociedade de castas onde o medo se impõe pela
hierarquia de feitores a serviço dos poderosos, sempre em nome da tal de ordem
e progresso.
O medo
é um dos talentos do homem que lhe ajuda a vencer os perigos, sempre que
instintivo, funciona como alerta a oportunizar uma vitória sobre o inoportuno,
porém a industrialização do medo como forma permanente de opressão escraviza o
homem, e esta indústria no Brasil vem sendo aperfeiçoada em mais de quinhentos
anos.
Não
encontraremos outro caminho para sairmos do terror deste regime do medo que não
seja a luta permanente de na base da sociedade construímos homens livres e como
tal destemidos.
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