Agora que baixou a poeira, pergunto-me sobre
o que acompanhamos na última semana, tento reordenar os fatos que presenciei
entre manifestações populares, fatos políticos e manifestações da mídia, e me
encontro frente a uma orquestra bem armada, inteligente e muito precisa em suas
estratégias e objetivos.
Unanimidade
nacional, e não teria como ser diferente, é a luta contra a corrupção, somam-se
as dificuldades do momento econômico, que sim refletem no padrão de vida de
cada um de nós, com uma escalada de aumentos em tarifas públicas e impostos
imediatamente repassados para os custos de todos os produtos obrigatoriamente
consumidos por cada um de nós.
Não me surpreendi
com o padrão de preparação do evento público do último domingo, forte chamada
nas redes sociais via vídeos e textos aparentemente refletindo desabafos pessoais
com uma linguagem agressiva de desmonte das estruturas, carregada de expressões
chulas, com tom de bate-boca de fundo de quintal, o que tão bem cai no gosto do
público sedento por desastres e cliente passivo de Big Brothers e outros
entretenimentos menos votados, de concentração na mídia de manchetes com o tema
corrupção e com associação imediata ao PT e ao governo Dilma.
Sim, sempre o
povo na rua corresponde a um avanço na qualidade de organização de um povo,
mesmo que ao final da manifestação haja disputas acirradas por um táxi para
buscar o conforto do lar, sendo necessário e muito importante que o governo,
qualquer que seja, esteja sentindo, percebendo que está sob a mira da
população.
Diferente das
manifestações do ano passado, que em minha opinião foram legítimas sim uma
manifestação é legítima ou não, pois não existe meio termo, e o eram porque
reivindicavam com clareza necessidades da população como por exemplo o direito
de transporte público gratuito, o reerguimento do sistema educacional, uma
mudança completa do conceito de segurança pública, já nas deste ano não tinham esse
espírito e sim um repúdio a pessoas e
organizações políticas, incitação a processos sem nenhum amparo legal de
impedimento da presidente e até intervenção militar.
O que nos parece
mais triste é a tentativa de manipulação de todos nós com o objetivo de
transformar uma luta que é realmente de todo um povo, a erradicação da
corrupção, em um alvo pessoal e político, o que representa um completo desrespeito
à grande maioria da população que tem lutas importantes para cobrar do governo
na melhoria da relação entre povo e estado, sendo exposta a manipulações de
interesses antipopulares dirigidos à retomada de governos que trabalham em benefício
da minoritária elite nacional.
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