sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sempre é Bom Ver o Povo na Rua.

     Agora que baixou a poeira, pergunto-me sobre o que acompanhamos na última semana, tento reordenar os fatos que presenciei entre manifestações populares, fatos políticos e manifestações da mídia, e me encontro frente a uma orquestra bem armada, inteligente e muito precisa em suas estratégias e objetivos.
     Unanimidade nacional, e não teria como ser diferente, é a luta contra a corrupção, somam-se as dificuldades do momento econômico, que sim refletem no padrão de vida de cada um de nós, com uma escalada de aumentos em tarifas públicas e impostos imediatamente repassados para os custos de todos os produtos obrigatoriamente consumidos por cada um de nós.
     Não me surpreendi com o padrão de preparação do evento público do último domingo, forte chamada nas redes sociais via vídeos e textos aparentemente refletindo desabafos pessoais com uma linguagem agressiva de desmonte das estruturas, carregada de expressões chulas, com tom de bate-boca de fundo de quintal, o que tão bem cai no gosto do público sedento por desastres e cliente passivo de Big Brothers e outros entretenimentos menos votados, de concentração na mídia de manchetes com o tema corrupção e com associação imediata ao PT e ao governo Dilma.
     Sim, sempre o povo na rua corresponde a um avanço na qualidade de organização de um povo, mesmo que ao final da manifestação haja disputas acirradas por um táxi para buscar o conforto do lar, sendo necessário e muito importante que o governo, qualquer que seja, esteja sentindo, percebendo que está sob a mira da população.
     Diferente das manifestações do ano passado, que em minha opinião foram legítimas sim uma manifestação é legítima ou não, pois não existe meio termo, e o eram porque reivindicavam com clareza necessidades da população como por exemplo o direito de transporte público gratuito, o reerguimento do sistema educacional, uma mudança completa do conceito de segurança pública, já nas deste ano não tinham esse espírito e sim um  repúdio a pessoas e organizações políticas, incitação a processos sem nenhum amparo legal de impedimento da presidente e até intervenção militar.

     O que nos parece mais triste é a tentativa de manipulação de todos nós com o objetivo de transformar uma luta que é realmente de todo um povo, a erradicação da corrupção, em um alvo pessoal e político, o que representa um completo desrespeito à grande maioria da população que tem lutas importantes para cobrar do governo na melhoria da relação entre povo e estado, sendo exposta a manipulações de interesses antipopulares dirigidos à retomada de governos que trabalham em benefício da minoritária elite nacional.              

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