sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Nós Duas Descendo a Escada, Vamos Juntos Nesta.

     Estive na estreia ontem do filme “Nós Duas Descendo a Escada” no Cine Guion, resumindo a experiência fui, vi e gostei, portanto recomendo irmos juntos com elas nesta descida de escadas que eleva o ser humano, cinema universal com assinatura gaúcha descortinando um coletivo de profissionais apaixonados pela arte das imagens em movimento a qual se dedicam nesta película liderados pelos lúcidos diretores Milton e Fabiano.

     História de amor não é um tema inédito para o mundo do cinema, o que as diferencia é o fato de ter a assinatura particular de quem a escreve, de quem a dirige e da equipe que viveu as filmagens do planejamento até sua finalização com consequente entrega para as distribuidoras e principalmente do cinéfilo que a assiste na tela grande com sua leitura única e é esta que tenho a pretensão de reproduzir nestas linhas.

     Começo descobrindo que “Nós duas descendo a escada” é Porto Alegre, as protagonistas circulam pelos lugares que são nosso dia a dia, na zona sul do nosso lindo Guaíba lembram nossos fim de tarde de olhar sonhador, no mercado público onde tantas vezes circulamos em tão boas companhias, já tivemos nossas confidências nestes mesmos bares que elas frequentam e olhamos os mesmos gastos grafites de nossos muros, também subimos e descemos as escadarias como a da Borges atrás de um encontro com a nossa sanidade que esperávamos encontrar na outra ponta, não faltou nem mesmo este corredor de entrada para as salas de cinema do Guion que percorremos aqui hoje para vê-las, os seus sonhos suas desilusões acontecem onde vivemos os nossos também.

     E como está bonita nossa cidade Porto Alegre no filme!

     A naturalidade da relação entre as duas protagonistas é um dos pontos altos do roteiro contextualizando uma desaprovação categórica, a discriminação, rejeitando o habitual comportamento que é o encaixotamento em guetos a que normalmente estão expostos os diferentes gêneros minoritários com seu confinamento a locais de convivência exclusiva, a oportunidade do encontro nos corredores de um prédio qualquer com atração imediata seguida da busca da conquista e sua concretização, seus encontros e desencontros carregados de afeto e sexualidade expressam realidades por todos nós vividas desde sempre.

     Merece referência também a questão social sendo que transparece para mim espectador que apesar de ambas estarem inseridas na classe média, uma representa os abastados desta e a outra está localizada na extremidade oposta desse extrato social, como não poderia deixar de ser carregam essa diferença de poder aquisitivo para a intimidade de sua relação, os conflitos inerentes ao desnível de situação econômica manifestam-se no jogo de poder e resistência que são experimentados por ambas resultando nas situações de crise durante o desenrolar do filme.


     Sua presença em uma das sessões do filme tem meu aval não que vocês o necessitem recomendo porque gostei e as coisas boas devem ser partilhadas entre todos nós, nós duas descendo as escadas, vamos juntos nessa. 

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