Estive na estreia
ontem do filme “Nós Duas Descendo a Escada” no Cine Guion,
resumindo a experiência fui, vi e gostei, portanto recomendo irmos juntos com
elas nesta descida de escadas que eleva o ser humano, cinema universal com
assinatura gaúcha descortinando um coletivo de profissionais apaixonados pela
arte das imagens em movimento a qual se dedicam nesta película liderados pelos
lúcidos diretores Milton e Fabiano.
História de amor
não é um tema inédito para o mundo do cinema, o que as diferencia é o fato de
ter a assinatura particular de quem a escreve, de quem a dirige e da equipe que
viveu as filmagens do planejamento até sua finalização com consequente entrega
para as distribuidoras e principalmente do cinéfilo que a assiste na tela
grande com sua leitura única e é esta que tenho a pretensão de reproduzir
nestas linhas.
Começo
descobrindo que “Nós duas descendo a escada” é Porto Alegre, as protagonistas
circulam pelos lugares que são nosso dia a dia, na zona sul do nosso lindo
Guaíba lembram nossos fim de tarde de olhar sonhador, no mercado público onde
tantas vezes circulamos em tão boas companhias, já tivemos nossas confidências
nestes mesmos bares que elas frequentam e olhamos os mesmos gastos grafites de
nossos muros, também subimos e descemos as escadarias como a da Borges atrás de
um encontro com a nossa sanidade que esperávamos encontrar na outra ponta, não
faltou nem mesmo este corredor de entrada para as salas de cinema do Guion que percorremos
aqui hoje para vê-las, os seus sonhos suas desilusões acontecem onde vivemos os
nossos também.
E como está
bonita nossa cidade Porto Alegre no filme!
A naturalidade da
relação entre as duas protagonistas é um dos pontos altos do roteiro contextualizando
uma desaprovação categórica, a discriminação, rejeitando o habitual comportamento
que é o encaixotamento em guetos a que normalmente estão expostos os diferentes
gêneros minoritários com seu confinamento a locais de convivência exclusiva, a
oportunidade do encontro nos corredores de um prédio qualquer com atração
imediata seguida da busca da conquista e sua concretização, seus encontros e
desencontros carregados de afeto e sexualidade expressam realidades por todos
nós vividas desde sempre.
Merece referência
também a questão social sendo que transparece para mim espectador que apesar de
ambas estarem inseridas na classe média, uma representa os abastados desta e a
outra está localizada na extremidade oposta desse extrato social, como não
poderia deixar de ser carregam essa diferença de poder aquisitivo para a intimidade
de sua relação, os conflitos inerentes ao desnível de situação econômica manifestam-se
no jogo de poder e resistência que são experimentados por ambas resultando nas
situações de crise durante o desenrolar do filme.
Sua presença em
uma das sessões do filme tem meu aval não que vocês o necessitem recomendo
porque gostei e as coisas boas devem ser partilhadas entre todos nós, nós duas
descendo as escadas, vamos juntos nessa.
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