domingo, 11 de setembro de 2016

A Arte Encantos e Desencantos.

     Ao insistirmos em associar a arte ao supérfluo desdenhamos de fato a vida que encarna essa tentativa de associação harmoniosa de palavras ritmos ou imagens, abrir mão da arte como manifestação clara da presença do ser humano é desistir de se investigar, independente de qual rótulo a associamos, ou seja, como esta se classifique é sempre o enfrentamento do homem pelo homem ante o ato de existir que cada uma das manifestações artísticas à sua maneira exprime e perpetua.

     Nos desencantos podemos contabilizar talvez como mais importante de quem a destrata por não lhe creditar devido valor a quem a defende como vital para o ser humano e não encontra tempo para com ela conviver, para abraçá-la hora e meia em uma sala de cinema não há tempo, para mística transformação das palavras escritas nos conceitos pensados por quem a lê inexiste essa hora e meia, para curtir uma pintura uma ilustração uma música uma fotografia um grafite, em síntese viver o prazer da essência de ser humano que por sua arte se desvenda sempre falta essa hora e meia que infelizmente está ocupada por todo e qualquer movimento destinado a distrair-se de si mesmo.

     Nos encantos registro o prazer de nos espaços culturais nos cafés nos bares nas ruas encontrarmos com quem se possa trocar opinião sobre leituras feitas filmes vistos saraus que participamos e tantas outras manifestações culturais experimentadas colhendo a gratidão do convívio com companheiros livre pensadores, cientes que só podem formar-se pelo continuado digladiar com as diferentes manifestações artísticas que vivenciadas explodem em valor dentro de cada um.

     Entristece-me quando me vejo a olhar esta máquina tão bem azeitada do excesso de informações parceira da insuficiência de conteúdos, hoje sabemos sobre tudo um pouco sem nos determos no entender muito de alguma coisa, somos muito rápidos estamos sempre na busca do fazer algo sem tempo para a contemplação de nós e dos outros, é certo que isso serve a alguém e que esse alguém não é o ser humano, mas sim um impessoal conceito nascido da velocidade de movimento que à sociedade nós imprimimos, nos leva sem rumo a corrermos para todos os lados tipo moscas tontas ou formigas disciplinadas sem parar para pensar aonde se quer chegar, pois se o fizermos concluiremos que quase tudo que realizamos sendo de uma completa inutilidade não nos traz prazer nem felicidade.

     Encontro na arte no ato de realizá-la e ou de partilhar a arte realizada a oportunidade de redenção para humanidade, pois esta se oferece como caminho inevitável de encontro do tempo para consigo mesmo cuja vivência nos levará a exercer a vocação inata do homem que é de lançar-se na direção do outro se realizando como animal social o que é da sua natureza. 

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