Ao insistirmos em
associar a arte ao supérfluo desdenhamos de fato a vida que encarna essa tentativa
de associação harmoniosa de palavras ritmos ou imagens, abrir mão da arte como
manifestação clara da presença do ser humano é desistir de se investigar,
independente de qual rótulo a associamos, ou seja, como esta se classifique é
sempre o enfrentamento do homem pelo homem ante o ato de existir que cada uma
das manifestações artísticas à sua maneira exprime e perpetua.
Nos desencantos
podemos contabilizar talvez como mais importante de quem a destrata por não lhe
creditar devido valor a quem a defende como vital para o ser humano e não
encontra tempo para com ela conviver, para abraçá-la hora e meia em uma sala de
cinema não há tempo, para mística transformação das palavras escritas nos
conceitos pensados por quem a lê inexiste essa hora e meia, para curtir uma
pintura uma ilustração uma música uma fotografia um grafite, em síntese viver o
prazer da essência de ser humano que por sua arte se desvenda sempre falta essa
hora e meia que infelizmente está ocupada por todo e qualquer movimento
destinado a distrair-se de si mesmo.
Nos encantos registro
o prazer de nos espaços culturais nos cafés nos bares nas ruas encontrarmos com
quem se possa trocar opinião sobre leituras feitas filmes vistos saraus que
participamos e tantas outras manifestações culturais experimentadas colhendo a
gratidão do convívio com companheiros livre pensadores, cientes que só podem
formar-se pelo continuado digladiar com as diferentes manifestações artísticas
que vivenciadas explodem em valor dentro de cada um.
Entristece-me
quando me vejo a olhar esta máquina tão bem azeitada do excesso de informações
parceira da insuficiência de conteúdos, hoje sabemos sobre tudo um pouco sem
nos determos no entender muito de alguma coisa, somos muito rápidos estamos
sempre na busca do fazer algo sem tempo para a contemplação de nós e dos outros,
é certo que isso serve a alguém e que esse alguém não é o ser humano, mas sim
um impessoal conceito nascido da velocidade de movimento que à sociedade nós
imprimimos, nos leva sem rumo a corrermos para todos os
lados tipo moscas tontas ou formigas disciplinadas sem parar para pensar aonde
se quer chegar, pois se o fizermos concluiremos que quase tudo que realizamos
sendo de uma completa inutilidade não nos traz prazer nem felicidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário