Sufocava-me preso
na garganta a angústia dos últimos acontecimentos nesta caricatura de nação que
é o nosso amado Brasil, a acalentada necessidade de RESISTIR convivia com a
indesejável impotência de um livre pensador frente ao inevitável GOLPE de ESTADO
que crescia no útero de uma terra amaldiçoada pelo espectro dos usurpadores de
sempre a serviço da desigualdade entre os homens, nasceu o Golpe libertou-se
meu Grito “O Golpe espelha minha servidão”.
Vejo Platão
revirar-se no túmulo o seu sonhado governo de uma aristocracia de sábios
filósofos tem aqui agora sua antítese com o governo da ignorância, não são
tiranos déspotas não são medíocres democratas não são oligarcas estabelecidos
pelo seu próprio poder econômico ou por sua brilhante falsa retórica, são
apenas medíocres serviçais da escravidão do homem pelo homem que se
aproveitando do continuado esforço de despreparar a população para pensar por
si só servem decididamente ao desmonte de qualquer indício de avanço no sonho
de deixarmos de ser apenas instrumentos dos objetivos do capital, como qualquer
outra máquina usada no seu único e exclusivo interesse.
O resistir urge
acontecer no seio da sociedade não através de receitas prontas, pois já as
experimentamos e nos deixaram o gosto amargo de criar este acinte que nos
desgoverna hoje, bem o sabemos que estão prolongando artificialmente uma
concepção de organização social já morta que conduz a sociedade para esta antropofagia
que denominamos sociedade de consumo capitalista com seus deuses graduados pelo
tamanho do seu vampirismo de mais valia adorados pelo volume de sangue extraído
do trabalho humano.
Quão longe
estamos daquele homem idealizado aquele que se realizava pelo seu trabalho para
a humanidade ao nos encaixarem como peças especializadas neste gigantesco
mecanismo de gerar uma riqueza supérflua e um homem aleijado pela pequenez do
seu pensar, brilhante no detalhe completamente incapaz de entender-se como um
todo universal.
Os homens livres
hão de brotar lançar suas flores inundar a terra com seus frutos serão maioria
e contaminarão a natureza com a doçura de suas vidas é o contraponto
obrigatório do poder quando exercido com crueldade e tirania a resistência
nasce e cresce no interior da lama podre esta que é morte alimenta a vida, pois
o tirano pelo excesso condena-se a sua ruína.
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