domingo, 4 de setembro de 2016

Libertou-se Meu Grito “O GOLPE Espelha Minha Servidão.

     Sufocava-me preso na garganta a angústia dos últimos acontecimentos nesta caricatura de nação que é o nosso amado Brasil, a acalentada necessidade de RESISTIR convivia com a indesejável impotência de um livre pensador frente ao inevitável GOLPE de ESTADO que crescia no útero de uma terra amaldiçoada pelo espectro dos usurpadores de sempre a serviço da desigualdade entre os homens, nasceu o Golpe libertou-se meu Grito “O Golpe espelha minha servidão”.

     Vejo Platão revirar-se no túmulo o seu sonhado governo de uma aristocracia de sábios filósofos tem aqui agora sua antítese com o governo da ignorância, não são tiranos déspotas não são medíocres democratas não são oligarcas estabelecidos pelo seu próprio poder econômico ou por sua brilhante falsa retórica, são apenas medíocres serviçais da escravidão do homem pelo homem que se aproveitando do continuado esforço de despreparar a população para pensar por si só servem decididamente ao desmonte de qualquer indício de avanço no sonho de deixarmos de ser apenas instrumentos dos objetivos do capital, como qualquer outra máquina usada no seu único e exclusivo interesse.

     O resistir urge acontecer no seio da sociedade não através de receitas prontas, pois já as experimentamos e nos deixaram o gosto amargo de criar este acinte que nos desgoverna hoje, bem o sabemos que estão prolongando artificialmente uma concepção de organização social já morta que conduz a sociedade para esta antropofagia que denominamos sociedade de consumo capitalista com seus deuses graduados pelo tamanho do seu vampirismo de mais valia adorados pelo volume de sangue extraído do trabalho humano.

     Quão longe estamos daquele homem idealizado aquele que se realizava pelo seu trabalho para a humanidade ao nos encaixarem como peças especializadas neste gigantesco mecanismo de gerar uma riqueza supérflua e um homem aleijado pela pequenez do seu pensar, brilhante no detalhe completamente incapaz de entender-se como um todo universal.

     Os homens livres hão de brotar lançar suas flores inundar a terra com seus frutos serão maioria e contaminarão a natureza com a doçura de suas vidas é o contraponto obrigatório do poder quando exercido com crueldade e tirania a resistência nasce e cresce no interior da lama podre esta que é morte alimenta a vida, pois o tirano pelo excesso condena-se a sua ruína.

     Não aceito a servidão não quero escravos, o ato de resistir não depende de uma palavra de ordem não tem um mentor a receitá-lo, resistir é um ato unipessoal libertário que se completa na vocação humana do ir ao encontro do outro sendo o caminho da desobediência civil na situação a qual nos submetem um ato certamente justo desta resistência, assim sintetizo meu grito dizendo que não me sinto obrigado a compactuar com que aí está.                        

Nenhum comentário:

Postar um comentário