Quando as
manchetes das redes sociais são de extrema intolerância, quando vemos a
insensatez desta crise migratória enfrentada pela Europa, tantas pessoas
terminando seus dias no sofrimento, o absurdo desta estrutura mundial de má distribuição
de renda, é o momento certo de buscarmos apoio em grandes pensadores, meu
escolhido nesta virada de mês foi o brilhante escritor Albert Camus esse franco-argelino
de grande sensibilidade social, talvez por ter enfrentado o problema durante a
sua infância e juventude, lendo e relendo seus escritos não consegui
esquivar-me de mostrar-lhes nestas linhas a qualidade do pensamento que circula
pela humanidade como contraponto ao injusto sistema implantado no planeta.
Em especial
relendo "O Estrangeiro", livro de poucas páginas e enorme conteúdo,
expressão legítima da inconformidade com o que temos, seu personagem é a
própria negação da hipocrisia social que infelizmente insistimos em ampliar, é um
cara que não consegue mentir para si mesmo o que intuo ser a maior
especialidade do nosso mundo hoje, adoramos nos enganar com intuito de fugirmos
da necessidade premente de mudança, transformamos vidas humanas em alimento
para a insaciável sede de autodestruição que é a arapuca socioeconômica que criamos
e onde somos escravos legítimos de regras ilegítimas por nós inventadas.
A mim em
particular me seduz a maneira como o personagem vai interagindo com as
expectativas das pessoas com quem trava relações, ele percebe claramente a
cobrança de fantasias do coletivo, que para ele não fazem nenhum sentido,
entende perfeitamente os mecanismos de desejo de cada um na construção da relação
pretendida para com ele, e o que é mais importante fornece como retorno sempre
seu modo de pensar com transparência, a sua verdade é comunicada a outrem
independente de saber que não é a resposta esperada, evitando em definitivo
entrar no jogo que é tentar adivinhar o que o outro quer ouvir, jogo que globalmente
nos acostumados a jogar.
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