domingo, 6 de setembro de 2015

Imersão no Passado, Mutação da Educação.

      Por questão de justiça com quem me lê, antes de me debruçar sobre as inquietações que movem essa estória, necessito contar-lhes algo sobre o processo recente que a nossa civilização vivenciou, caso contrário corro o risco de não ser entendido, como é público e notório as ideias só fazem sentido quando conhecemos o habitat onde elas florescem.

     Iniciamos a derrubada dos muros pela base de todas as coisas, a educação se é que podíamos chamar com esse nome o fantástico processo de demolição de indivíduos em nome da moral e ética civilizatória, tínhamos registrados indícios de alguns experimentos de mudança nessa área, processos que nunca frutificaram devido ao fato de que os melhores são esmagados pela maioria medíocre, isso como mecanismo de preservação da mesmice da civilização que por centenas de anos produziu seres adaptados socialmente em série. 

     Abolimos o conceito de ensinar, passamos a tratar do criar condições para o experimento de oportunizar descobertas, o que só é viável de ser realizado quando a responsabilidade passa a ser da comunidade, não existe escola, não temos professor, não se confecciona roteiros de aprendizado, não temos alunos, há sim o processo interativo entre sociedade e indivíduo com acesso universal a fortes repositórios de conhecimento acompanhado de modo participativo por todos os envolvidos.

     Natural do ser humano observar com curiosidade o seu entorno, o que é incentivado pela própria convivência, o resultado é espontâneo descobre-se oportunidades de agir, esse é o momento em que se entender como único capaz de decidir por si mesmo é o mais importante, apoio na execução dessa decisão pela comunidade envolvida é o próximo passo, segue-se o entendimento da responsabilidade pelo ato executado, todo o método tem como base informação, decisão e ação consciente, ninguém aponta caminho, descobrimos os caminhos possíveis, analisamos no tempo suas consequências, adotamos o que melhor nos convém.

     A evolução do homem quanto à unificação do corpo e do espírito, esse entendimento que são um só ser, a colaboração dessas duas entidades onde o espírito tem noção exata de cada parte de seu corpo e interage com o mesmo no sentido de fazê-lo andar na melhor saúde e na maior disposição, somado à comunicação aperfeiçoada com todos os outros homens e com a natureza foi o que permitiu essa quebra de paradigma.     

     Por certo essa ligação umbilical com a vida plena exige uma organização social que a ampare, como funciona? Deve ser o que estais a me cobrar agora; sob que fundamento pode ser viável esse viver apreendendo a ser? Bom, veremos outros aspectos da mudança ocorrida que talvez o esclareçam.        

Nenhum comentário:

Postar um comentário