Por questão de
justiça com quem me lê, antes de me debruçar sobre as inquietações que movem essa
estória, necessito contar-lhes algo sobre o processo recente que a nossa civilização
vivenciou, caso contrário corro o risco de não ser entendido, como é público e
notório as ideias só fazem sentido quando conhecemos o habitat onde elas
florescem.
Iniciamos a
derrubada dos muros pela base de todas as coisas, a educação se é que podíamos
chamar com esse nome o fantástico processo de demolição de indivíduos em nome
da moral e ética civilizatória, tínhamos registrados indícios de alguns
experimentos de mudança nessa área, processos que nunca frutificaram devido ao
fato de que os melhores são esmagados pela maioria medíocre, isso como
mecanismo de preservação da mesmice da civilização que por centenas de anos
produziu seres adaptados socialmente em série.
Abolimos o
conceito de ensinar, passamos a tratar do criar condições para o experimento de
oportunizar descobertas, o que só é viável de ser realizado quando a
responsabilidade passa a ser da comunidade, não existe escola, não temos
professor, não se confecciona roteiros de aprendizado, não temos alunos, há sim
o processo interativo entre sociedade e indivíduo com acesso universal a fortes
repositórios de conhecimento acompanhado de modo participativo por todos os
envolvidos.
Natural do ser
humano observar com curiosidade o seu entorno, o que é incentivado pela própria
convivência, o resultado é espontâneo descobre-se oportunidades de agir, esse é
o momento em que se entender como único capaz de decidir por si mesmo é o mais
importante, apoio na execução dessa decisão pela comunidade envolvida é o
próximo passo, segue-se o entendimento da responsabilidade pelo ato executado,
todo o método tem como base informação, decisão e ação consciente, ninguém
aponta caminho, descobrimos os caminhos possíveis, analisamos no tempo suas
consequências, adotamos o que melhor nos convém.
A evolução do
homem quanto à unificação do corpo e do espírito, esse entendimento que são um
só ser, a colaboração dessas duas entidades onde o espírito tem noção exata de
cada parte de seu corpo e interage com o mesmo no sentido de fazê-lo andar na
melhor saúde e na maior disposição, somado à comunicação aperfeiçoada com todos
os outros homens e com a natureza foi o que permitiu essa quebra de
paradigma.
Por certo essa
ligação umbilical com a vida plena exige uma organização social que a ampare,
como funciona? Deve ser o que estais a me cobrar agora; sob que fundamento pode
ser viável esse viver apreendendo a ser? Bom, veremos outros aspectos da mudança
ocorrida que talvez o esclareçam.
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