Privilegiado o
espaço para a arte e a cultura nas agendas pessoais, esse passou a ter assento
de horário nobre em quantidade e valor, não para alguns, sim para a maioria da
população, consequência primeira desse fato a exposição à verdade interior de
cada um, a filosofia renasceu associada a esse novo status das artes na
sociedade, atingindo sua amplitude merecida que é a do tamanho da vida, vaticínio
já pregado no passado correspondendo ao conceito de civilização pós-industrial,
onde o trabalho perdeu sua condição de foco principal sendo substituído pela
cultura.
Novas e
interessantes teorias apareceram para explicar a nossa existência, por certo
ainda não conseguimos desatar esse nó, mas a vemos com olhos muitos mais
abertos, uma valorização acentuada do presente, desse presente que insiste em se
tornar passado, hoje pelo menos em ritmo menos alucinante, abriram-se as
comportas para o aumento da convivência entre os homens e como condição imprescindível
desta o culto à solidão como melhor preparação para a intensidade e fecundidade
desses encontros.
A verdade da
morte como ápice da vida exige a troca de experiências físicas e intelectuais,
gera o que seria tachado de uma leve irresponsabilidade em outras épocas, mas que
de fato é a valorização da liberdade, só o livre arbítrio exercido em sua
totalidade nos permite o relacionamento sem o jugo de preconceitos, igualitário
por excelência, não estamos falando do “conheça-se a si mesmo” de Sócrates e
sim do experimento da potência de Nietzsche.
Certamente vocês já se deram conta de que apesar
da sofisticação tecnológica das estatísticas, o primado da vontade pessoal não
nos permite ter certeza nem do número de humanos, muito menos das suas prioridades,
o que vocês não podem ver é o momento de certa inquietação no espaço público compartilhado,
alguns grupos analisam ecos de preocupantes ruídos sobre uma perda de
individualidade, vindos de manifesta tendência em abdicar da possibilidade de
pensar em troca de aderir ao pensamento já existente.
Lembrou-me um
pouco da questão da Eva, do Adão, do paraíso e da maçã, minha pesquisa do
passado sinalizou para um caminho de geração do caos através da ruptura da
harmonia entre os próprios homens e da sua relação com a natureza, tem nos
parecido claro, e cada vez mais partilhado é o repositório onde coloquei o
tema, que urge investigar a história da humanidade, na busca de pistas sobre as
motivações que levaram a essas alterações de comportamento com o intuito de não
repetirmos o erro histórico.
Quando fui
desafiado a analisar aquele longínquo século vinte e um e seus três mil anos de
história, quanto ao seu modo de relações sociais, perguntei-me aonde isso
poderia me levar, qual tipo de contribuição aos meus pares isso traria, o
desafio estava posto, o entendimento da precariedade que tinha levado o mundo a
viver a fábula da torre de babel e a busca da vacina eficaz contra sua
reincidência, é disto que se trata essa estória.
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