sábado, 19 de setembro de 2015

Imersão no Passado, Exposição à Verdade.

     Privilegiado o espaço para a arte e a cultura nas agendas pessoais, esse passou a ter assento de horário nobre em quantidade e valor, não para alguns, sim para a maioria da população, consequência primeira desse fato a exposição à verdade interior de cada um, a filosofia renasceu associada a esse novo status das artes na sociedade, atingindo sua amplitude merecida que é a do tamanho da vida, vaticínio já pregado no passado correspondendo ao conceito de civilização pós-industrial, onde o trabalho perdeu sua condição de foco principal sendo substituído pela cultura.

     Novas e interessantes teorias apareceram para explicar a nossa existência, por certo ainda não conseguimos desatar esse nó, mas a vemos com olhos muitos mais abertos, uma valorização acentuada do presente, desse presente que insiste em se tornar passado, hoje pelo menos em ritmo menos alucinante, abriram-se as comportas para o aumento da convivência entre os homens e como condição imprescindível desta o culto à solidão como melhor preparação para a intensidade e fecundidade desses encontros.

     A verdade da morte como ápice da vida exige a troca de experiências físicas e intelectuais, gera o que seria tachado de uma leve irresponsabilidade em outras épocas, mas que de fato é a valorização da liberdade, só o livre arbítrio exercido em sua totalidade nos permite o relacionamento sem o jugo de preconceitos, igualitário por excelência, não estamos falando do “conheça-se a si mesmo” de Sócrates e sim do experimento da potência de Nietzsche.  

        Certamente vocês já se deram conta de que apesar da sofisticação tecnológica das estatísticas, o primado da vontade pessoal não nos permite ter certeza nem do número de humanos, muito menos das suas prioridades, o que vocês não podem ver é o momento de certa inquietação no espaço público compartilhado, alguns grupos analisam ecos de preocupantes ruídos sobre uma perda de individualidade, vindos de manifesta tendência em abdicar da possibilidade de pensar em troca de aderir ao pensamento já existente.         

     Lembrou-me um pouco da questão da Eva, do Adão, do paraíso e da maçã, minha pesquisa do passado sinalizou para um caminho de geração do caos através da ruptura da harmonia entre os próprios homens e da sua relação com a natureza, tem nos parecido claro, e cada vez mais partilhado é o repositório onde coloquei o tema, que urge investigar a história da humanidade, na busca de pistas sobre as motivações que levaram a essas alterações de comportamento com o intuito de não repetirmos o erro histórico.

     Quando fui desafiado a analisar aquele longínquo século vinte e um e seus três mil anos de história, quanto ao seu modo de relações sociais, perguntei-me aonde isso poderia me levar, qual tipo de contribuição aos meus pares isso traria, o desafio estava posto, o entendimento da precariedade que tinha levado o mundo a viver a fábula da torre de babel e a busca da vacina eficaz contra sua reincidência, é disto que se trata essa estória.


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