A alegria da
direita, com seu sonho de estado mínimo, encontra-se com a utopia da esquerda,
a inexistência do estado, homens livres decidindo seus destinos é o momento
político que abraçamos vocês podem dizer que é o velho sonho da anarquia,
prefiro outra interpretação, atingimos a maturidade das relações humanas, no
momento que encontramos a justiça social e a igualdade de acesso ao
conhecimento, a questão dos poderes passa a ser secundária, mais do que isso é
desnecessária.
O poder
judiciário tornou-se obsoleto pelo rearranjo das relações entre as pessoas,
hoje qualquer diferença é resolvida entre as partes, ocorre à divergência
imediatamente é estabelecido um repositório de pensamento específico que
partilha as teses dos contendores, todas as argumentações são transparentes
para a comunidade global, tornam-se públicas desde sempre, não há regra nem
pressa alguma na obtenção do consenso, o importante é amadurecer o tema e suas
respectivas argumentações, voluntariamente um ou mais mediadores integram-se ao
processo, por regra todas as pessoas são candidatas a essa participação, o
conflito então é fonte geradora de novas descobertas, nunca motor de desentendimentos,
logo é desejável e saudável.
O parlamento foi
extinto pelo simples fato de ninguém aceitar ser representado em questão
nenhuma, isso por óbvio só se tornou possível pela capacidade que desenvolvemos
de comunicarmos nossas ideias, independente de presença física, criamos espaços
virtuais, onde participam desde um, dois integrantes ou até toda a humanidade, a
capacidade desenvolvida da participação concorrente em tantos quantos desses
espaços quisermos, nos permite partilharmos inúmeros outros plenários menores
com esse global, coloquei anteriormente que temos uma só lei que é a aceitação
inegociável da unicidade do individuo e sua plena liberdade de exercê-la,
podemos resumir dizendo que estamos em sessão permanente não de legislar e sim
de obter direções de consenso.
O desmonte das máquinas de estado, em outras palavras a implosão do executivo,
teve motivação e execução de modo muito simples, as mudanças na área do
conhecimento e dos meios de produção por si só eliminaram as enormes estruturas
de educação e saúde, o indivíduo passou a administrar a obtenção de
conhecimento e o controle do seu corpo, o novo homem é multifacetado, não mais
um especialista protegido pelos segredos de uma profissão, a eliminação das
fronteiras significou de imediato o fim dos aparatos militares por sua perda
completa de sentido, uma sociedade que se autogerencia condena judiciário,
legislativo e executivo à morte e todas as suas estruturas à extinção.
O que não
gostaria que fosse conclusão de vocês que estamos em um momento do tudo
resolvido, como poderão ver nos próximos depoimentos na verdade entramos na era
das grandes questões, mas isso já é tema para outro dia.
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