Na China uns dos
tipos de poeta são os que escrevem seus versos em forma de jardins, assim como
um pequeno verso pode conter sugestões infinitas, também os jardins são
irregulares, assimétricos, misteriosos, nunca se revelando por inteiro
conservando o encanto do seu segredo.
Pois sim, temos o
controle absoluto de nossas vidas, apenas não definimos as opções, quem as põe
em nosso caminho? A eventualidade? Por certo sim o acaso gerado pelas opções
feitas no passado por nós mesmos e de quem encontramos nas encruzilhadas da
vida, esse entrecruzar sem o qual não existiríamos, por sua vez, só se tornou
possível por inúmeras decisões antes tomadas até mesmo por quem nunca
encontraremos.
Nunca na China
estive, mas em sonhos caminho por seus jardins, vendo um mundo novo a cada
escolha minha, por isso as lembranças dos multifacetados espaços paisagísticos
vividos, do renovado decifrar dos versos propostos pelo poeta, em cada caminho
uma nova natureza, em cada caminho uma nova versão de mim mesmo.
Gosto muito
daquela ideia de voltar ao passado e mexer em alguma pequena coisa por mim
feita, de maneira que quando retornar ao presente nada mais seria igual, incógnito
inclusive é o fato de haver espaço para mim neste novo presente, isso nos
permitiria ter todas as vidas as quais temos direito.
Poderíamos jogar
e muito com isso, desconstruindo assim todas as nossas verdades, pois sendo essas
o somatório de nossas experiências, imediatamente serão desmentidas e neste
redemoinho de desmontagem, nossas diversas partes, o amor terreno, a vocação
ocupacional, as amizades, as opções de vida entre tantas outras, todas formam diferentes
possíveis imagens nesse caleidoscópio.
Sempre podemos
debitar a Deus ou ao destino a responsabilidade e assim desistirmos da nossa
construção como homem livre, este, tal qual o jardim Chinês, não tem um eixo
central nem um panorama geral e sim o momento presente a ser vivido na
plenitude de nossos sentidos.
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