domingo, 5 de julho de 2015

Errante Caminhante

     O espaço do espírito por certo acompanha o da matéria sendo assim complementos de um mesmo ser, temos corpo caminhante temos alma andante, que em um bailado deslumbrante percorrem inseparáveis e alimentam-se mutuamente da paisagem natural e social.

     A rotina ilusória do percorrer os mesmos caminhos, podemos afirmar o fingem todos, sabemos nunca iguais, a negação desta pretexta verdade nos traz o conforto de somarmos descobrimentos na natureza e no homem em sua sina de transmutação permanente como ser humano.

     A solidariedade das realidades físicas naturais reflete-se como um espelho na alma do homo sapiens, trazendo partilha de alegrias, esperanças e mágoas, sendo esta completude a utopia de tudo e de todos isto é o próprio homem.

     Ao caminhar os cinco sentidos libertam-se para exercerem-se em plenitude, transformando-nos em uma única simbiose global, crescemos então em todas as direções sem os grilhões da razão no domínio completo do império dos sentidos.

     Disparam-se pensamentos em todas as direções, constroem-se textos sobrepostos, incendiados pela mesma chama dos repetidos encontros involuntários com os quais em círculos nos deparamos, só nos resta acolhê-los e cercá-los de cuidados para que cresçam até o ponto de se mostrarem para o mundo.


     Então assim podemos ser caminhantes errantes na sua melhor tradução o espaço para a vida, justificando então o movimento contínuo, impreciso, desnudo de objetivos e sim puro e simples confirmação do existir.

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