segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

TI e o Imaginário do Trabalho Remoto.

     É interessante ver como no imaginário da comunidade de TI associa-se o trabalho remoto executado de casa a uma qualificação do padrão de vida, tudo se passa como se optando por esse tipo de ajuste nas relações profissionais com sua empresa, estivéssemos imediatamente guindados a um paraíso, trabalhando com o máximo de conforto e comodidade.

     A mim nunca me pareceu agradável deixar o trabalho invadir meu ambiente individual dedicado à experimentação do significado da vida, vejo essa intromissão como perda, pois abrimos mão da reserva de vida dedicada à cultura e ao lazer, que confesso já a identifico com tempos insuficientes, quando comparada aos enormes tempos dedicados a sermos úteis à engrenagem de geração de bens de consumo.

     Gosto de pensar saindo da oficina, conseguir separar a vivência profissional da pessoal, ou seja, desligar-me completamente das atividades exercidas no labor diário, sei que me iludo que ainda me vejo eventualmente tratando algum tema específico do escritório entre um e outro pensamento dedicado à vida, isso sem contar às vezes em que desperto com a solução de algo em um sonho inevitável.

     Então se abrir mão desta fronteira entre a vida laboral e a do espírito, aposto sem medo de errar, que em muitos momentos ocorrerá interferência do trabalho sobre o dia a dia, que por direito à vida, devo dedicar ao lazer d'alma e do corpo, dando a César o que é de César e a nossa espírito o que deste o é, inferência essa cujo prejuízo é irrecuperável.

     O ócio, ao contrário dos boatos espalhados por espíritos mal intencionados, é por excelência a oportunidade de dedicarmo-nos às coisas que realmente nos interessam: nossa sede de liberdade, nosso caminho pelos labirintos interiores de nossa alma que nos levam à realização individual.


     Não é solução partilhar nosso espaço privado com o do trabalho, afirma minha lógica interna, colocando todas as minhas fichas de que o caminho das pedras, que realmente tem chances de funcionar é a diminuição do tempo de trabalho com a definitiva busca de separação total ente esses dois conflituosos ambientes, o da produção de cultura e o da geração de riqueza.   

2 comentários:

  1. Grande Daniel,
    Também comungo da sua idéia.
    Penso que o celular já nos tira um precioso tempo de família. Família é aquela conversa sem taxímetro. E o celular, por vezes, nos arranca do bate-papo-família.
    Imagino que deveríamos "convencer" os colegas profissionais a também não saírem de suas famílias para tele-invadir famílias alheias.
    A ideia do tele-trabalho, penso eu, daria certo apenas para uma pequena minoria, que já o exercem.
    Grande abraço.
    Mendes.

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  2. Caro José Mendes, suas opiniões sempre me incentivam a continuar com estas reflexões, obrigado, um grande abraço

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