É interessante
ver como no imaginário da comunidade de TI associa-se o trabalho remoto executado
de casa a uma qualificação do padrão de vida, tudo se passa como se optando por
esse tipo de ajuste nas relações profissionais com sua empresa, estivéssemos imediatamente
guindados a um paraíso, trabalhando com o máximo de conforto e comodidade.
A mim nunca me
pareceu agradável deixar o trabalho invadir meu ambiente individual dedicado à
experimentação do significado da vida, vejo essa intromissão como perda, pois abrimos
mão da reserva de vida dedicada à cultura e ao lazer, que confesso já a
identifico com tempos insuficientes, quando comparada aos enormes tempos
dedicados a sermos úteis à engrenagem de geração de bens de consumo.
Gosto de pensar saindo
da oficina, conseguir separar a vivência profissional da pessoal, ou seja,
desligar-me completamente das atividades exercidas no labor diário, sei que me iludo
que ainda me vejo eventualmente tratando algum tema específico do escritório
entre um e outro pensamento dedicado à vida, isso sem contar às vezes em que
desperto com a solução de algo em um sonho inevitável.
Então se abrir
mão desta fronteira entre a vida laboral e a do espírito, aposto sem medo de
errar, que em muitos momentos ocorrerá interferência do trabalho sobre o dia a
dia, que por direito à vida, devo dedicar ao lazer d'alma e do corpo, dando a
César o que é de César e a nossa espírito o que deste o é, inferência essa cujo
prejuízo é irrecuperável.
O ócio, ao contrário
dos boatos espalhados por espíritos mal intencionados, é por excelência a
oportunidade de dedicarmo-nos às coisas que realmente nos interessam: nossa
sede de liberdade, nosso caminho pelos labirintos interiores
de nossa alma que nos levam à realização individual.
Não é solução
partilhar nosso espaço privado com o do trabalho, afirma minha lógica interna, colocando
todas as minhas fichas de que o caminho das pedras, que realmente tem chances
de funcionar é a diminuição do tempo de trabalho com a definitiva busca de
separação total ente esses dois conflituosos ambientes, o da produção de cultura
e o da geração de riqueza.
Grande Daniel,
ResponderExcluirTambém comungo da sua idéia.
Penso que o celular já nos tira um precioso tempo de família. Família é aquela conversa sem taxímetro. E o celular, por vezes, nos arranca do bate-papo-família.
Imagino que deveríamos "convencer" os colegas profissionais a também não saírem de suas famílias para tele-invadir famílias alheias.
A ideia do tele-trabalho, penso eu, daria certo apenas para uma pequena minoria, que já o exercem.
Grande abraço.
Mendes.
Caro José Mendes, suas opiniões sempre me incentivam a continuar com estas reflexões, obrigado, um grande abraço
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