Partindo do
pressuposto por um lado da unicidade do indivíduo e por outro da formação das
maiorias de pensamento, tão comuns em nossa sociedade hoje, surpreende-me a escala
diferenciada de reações apresentadas ante nosso comportamento habitual, quando entabulamos
contatos individuais, de fato só verificamos comportamento hegemônico quando nos
confrontamos com grupos, isto é no atacado, onde as vontades do ser humano
submetem-se em benefício da manifestação do todo.
Não estou
analisando movimentos sofisticados e/ou complexos comportamentos, estou falando
de um simples bom dia, e situando-o em um mesmo ambiente público onde pessoas
dedicam-se a caminhar ou correr, as reações são as mais diversificadas,
curtimos como retorno a esse singelo cumprimento desde uma reação agressiva,
ofendida, de irritação, passando por um simples ignorar até um alegre sorriso,
comportamentos tão díspares refletindo o fato de que o que somos em nada
interessa, tão somente sofremos o que aos outros são, seus medos, suas
fantasias e o seu mundo particular.
O real só pode
existir em um determinado momento e em nós mesmos, o que dispensa maiores
explicações, ao nos contrapormos com o outro o enxergamos
pelo somatório de nossas experiências anteriores, ou seja, nós o criamos à nossa
maneira e semelhança, e o que mais me encanta nessa situação de criatura é que
o nosso lado camaleão realmente pode corresponder a essa criação, pois desde
sempre o demônio nada mais é do que uma das muitas caras do anjo.
Se buscarmos enquadrar
nossas vivências na régua definida em um extremo o maior índice de bondade e
noutro o maior índice de maldade nenhum de nossos atos encontrará seu espaço em
qualquer ponto dessa régua, essa escala de qualificação não se sustenta, apenas
vivemos como conseguimos, quaisquer atitudes tomadas são apenas esta manifestação
da vida e como tal válida no nível de ser humano individual, sempre que este se
respeite.
Estas linhas são
apenas a manifestação de uma curiosidade e o desejo de alinhamento com quem as lê,
não creio na dualidade entre o bem e o mal e sim em atitudes baseadas na
honestidade consigo mesmo, eu creio na impossibilidade de em algum instante de
qualquer relacionamento indiferente da intensidade coincidir a foto que autogero
com a imagem que o outro projeta em si de mim.
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