Poucas luzes
neste início de semana para os apaixonados por cinema em POA, dois dias em
sequência, dois fatos muito positivos: os documentários dos alunos de cinema da
PUC e a Mostra de Direitos Humanos, dois problemas, sim em cada acontecimento
uma decisão controversa.
Na PUC, alunos
mostraram seus trabalhos, seis grupos produzindo cada um o seu documentário, o
resultado demonstrou a seriedade com que a instituição de ensino e seus
professores tratam o cinema, confesso que para estudantes do segundo semestre
vi muita qualidade, foi uma oportunidade bem aproveitada, o desafio era nos
mostrar pessoas comuns vivendo situações incomuns, inusitadas, o que foi
conseguido.
Mas não poderia
deixar de aparecer a polêmica, um dos documentários não foi exibido, foi
censurado, por ser inadequado para menores, era um documentário que mostrava a
transição de uma locadora de vídeos do modelo tradicional para a venda de
vídeos pornô, não posso opinar sobre a decisão tomada, penso incorreram em dois
erros, primeiro algo inadmissível para uma universidade censurar o trabalho artístico,
quando seu papel seria fomentá-lo, promover o debate, segundo equívoco me parece
o de usurpar o direito dos pais de assumirem a educação dos filhos, decidindo a
universidade por eles.
Uma proposta
simples, certamente uma entra tantas outras soluções que não a censura, seria
marcar a apresentação deste filme para o início e alertar aos pais com crianças
que o filme era impróprio e que poderiam aguardar com seus filhos na antessala por
seis minutos, que me parece que era o tempo da projeção, voltando para assistir
os próximos.
No dia seguinte,
no projeto "9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul", o
filme de abertura dirigido Lúcia Murat, "QUE BOM TE VER VIVA", muito
bem dirigido por sinal, trouxe-nos os depoimentos de seis ex-torturadas pela
ditadura e sua vida pós-acontecido, gostei muito do filme, envolvente, bem trabalhado
em sua dinâmica e nos remetendo a pensar na impossibilidade absoluta de
remediar o erro, a violência da tortura, bom tivemos problemas técnicos,
acidentes ocorrem, vamos aceitar até pela precariedade de investimentos feitos
na sala PF Gastal, que pela qualidade do trabalho do pessoal que promove cinema
ali merecia melhores condições para os técnicos de projeção e para os cinéfilos.
Porém iniciado os
problemas técnicos, decidiu-se por obrigar-nos a conviver com os mesmos durante
todo filme, quando me parece o correto seria de imediato suspender a sessão e remarcar
a apresentação, pois as falhas técnicas repetiram-se várias vezes durante a
exibição, congelamento de imagem com repetição do áudio, e tiraram a sequência do filme e como sabemos todos, uma segunda
visualização nunca poderá substituir a emoção da primeira, rever é outra
experiência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário