quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Bom Cinema, Más Decisões.

     Poucas luzes neste início de semana para os apaixonados por cinema em POA, dois dias em sequência, dois fatos muito positivos: os documentários dos alunos de cinema da PUC e a Mostra de Direitos Humanos, dois problemas, sim em cada acontecimento uma decisão controversa.

     Na PUC, alunos mostraram seus trabalhos, seis grupos produzindo cada um o seu documentário, o resultado demonstrou a seriedade com que a instituição de ensino e seus professores tratam o cinema, confesso que para estudantes do segundo semestre vi muita qualidade, foi uma oportunidade bem aproveitada, o desafio era nos mostrar pessoas comuns vivendo situações incomuns, inusitadas, o que foi conseguido.
    
     Mas não poderia deixar de aparecer a polêmica, um dos documentários não foi exibido, foi censurado, por ser inadequado para menores, era um documentário que mostrava a transição de uma locadora de vídeos do modelo tradicional para a venda de vídeos pornô, não posso opinar sobre a decisão tomada, penso incorreram em dois erros, primeiro algo inadmissível para uma universidade censurar o trabalho artístico, quando seu papel seria fomentá-lo, promover o debate, segundo equívoco me parece o de usurpar o direito dos pais de assumirem a educação dos filhos, decidindo a universidade por eles.

     Uma proposta simples, certamente uma entra tantas outras soluções que não a censura, seria marcar a apresentação deste filme para o início e alertar aos pais com crianças que o filme era impróprio e que poderiam aguardar com seus filhos na antessala por seis minutos, que me parece que era o tempo da projeção, voltando para assistir os próximos. 

     No dia seguinte, no projeto "9ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul", o filme de abertura dirigido Lúcia Murat, "QUE BOM TE VER VIVA", muito bem dirigido por sinal, trouxe-nos os depoimentos de seis ex-torturadas pela ditadura e sua vida pós-acontecido, gostei muito do filme, envolvente, bem trabalhado em sua dinâmica e nos remetendo a pensar na impossibilidade absoluta de remediar o erro, a violência da tortura, bom tivemos problemas técnicos, acidentes ocorrem, vamos aceitar até pela precariedade de investimentos feitos na sala PF Gastal, que pela qualidade do trabalho do pessoal que promove cinema ali merecia melhores condições para os técnicos de projeção e para os cinéfilos.


     Porém iniciado os problemas técnicos, decidiu-se por obrigar-nos a conviver com os mesmos durante todo filme, quando me parece o correto seria de imediato suspender a sessão e remarcar a apresentação, pois as falhas técnicas repetiram-se várias vezes durante a exibição, congelamento de imagem com repetição do áudio, e tiraram a sequência do filme e como sabemos todos, uma segunda visualização nunca poderá substituir a emoção da primeira, rever é outra experiência.

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