sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Ti e as Algemas da Fé.

     O desencontro entre a fé, baseada na impossibilidade da dúvida e a ciência que é a própria dúvida me leva a refletir sobre as juras que diariamente o fazemos em relação a metodologias, ferramentas, linguagens e soluções na área de TI. 

     Nosso comportamento tentado pela fé, ou seja, a acreditar em verdades simplesmente por acreditar, tirando a possibilidade de duvidar, é completamente incompatível com a racionalidade exigida pela tecnologia da informação.

     Montamos nossas verdades em cima de conceitos que usamos no dia a dia, nos agrupamos em guetos tecnológicos, escolhemos nossos sacerdotes, nossos gurus, negando a principal verdade da ciência que é a evidente permanência e constância no erro como impulsionador do novo.

     Pois diferente da fé que sempre está certa, pois é apenas um ato de vontade, a ciência sempre está errada é na verdade a melhor foto de um momento, o que conseguimos estabelecer como marco e que de antemão sabemos o tempo o irá senão desmentir projetá-la a outro patamar.

     Como podemos não duvidar do caminho que escolhemos para nossos projetos, se assim o fizermos estamos nos contradizendo como técnicos, nossas opções merecem a dúvida constante como oportunidade de fazermos o projeto necessário para o amanhã que nos atenderia hoje.

     Temos tomado seguidas vezes a cômoda opção de já tudo sabermos, de ter encontrado o caminho da salvação, o próprio paraíso tecnológico onde temos a melhor solução, o mais produtivo método, esquecendo-nos de que o céu só existe para quem desistiu da vida.


     Vamos pagar o preço da dúvida, vamos questionar nossos métodos, vamos discutir o como e o porquê das ferramentas com as quais trabalhamos, vamos impulsionar o futuro, buscar a descoberta do amanhã, que só o questionamento sério, a pesquisa continuada, a humildade do conhecimento e principalmente o abandono da vaidade que nos estaciona no que já é passado, sem abrirmos mão de apresentar resultados no presente.

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