terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Força de uma Imagem

     Entro no apartamento me informam que ela está no quarto, chego lá e a vejo na cama, deitada, imóvel, linda, muito pálida, só o rosto fora do edredom cercado de seus cabelos brancos, em minha memória grava-se este instantâneo carregado de emoção, essa imagem irá me perseguir a partir deste dia semana adentro, sim a fragilidade da vida presente na minha mãe.

     O alívio que foi ver apesar de tão somente os lábios e os olhos mexerem-se, e a emoção de ouvir a história desencontrada, como sempre, que ela passou a me contar, nem sei se contar-me era de fato a situação, penso mais narrava, mais contava a ela mesma, sim são somente suas essas histórias, atemporais como os sonhos, misturando mortos e vivos, nada de noção de tempo, mistura de protagonistas reais com situações inverossímeis.

     Certo o pensamento me traz de volta para a imagem, não propriamente a imagem, pois ela está em constante mudança, mas as sensações do momento ficaram e emocionalmente envolvido, tive receio e continuo vendo que tenho pouco tempo para curti-la sinto necessidade de mais visitá-la e é difícil aceitar que o tempo esgota-se para nós.

     As imagens movimentam coisas importantes dentro da gente, assim como as crianças que estão nos porta-retratos ao lado da cama encontro permanente com os filhos que já não são de convivência diária em corpo presente, porém sempre tal qual um ímã tem a convergência do nosso pensamento atraído, seduzido pelo prazer de tê-los como tais.

     Todas as imagens completam-se por sensações e pensamentos, são por si só um mundo em um momento, têm a força de uma história eterna na escassez do tempo, nos permitem sentir carinho, sentir força, sentir vida completa em nós com os outros, são um ponto que se prolonga no infinito como uma reta do nosso existir.


     Não sei se possível é, sei que não tenho em mim condições de fazê-lo, não tenho nenhum controle sobre as imagens que guardo e que se me apresentam no tempo, porém independendo da minha vontade elas existem e são parcelas importantes da minha vida, como seria bom se as tivesse sob meu controle, por mim escolhidas e definidas, hoje me contento em simplesmente vivê-las.    

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