Deparo-me no vai e vem dos dias, defesas
intransigentes de procedimentos pessoais, frequentemente justificadas pela
moral, como se esta fosse um salvo conduto e eliminasse a necessidade de
questionamentos adicionais sendo assim tudo explicando e validado por um
simples carimbo: “É moral”.
Amigos, moral nada mais é que o conjunto de costumes,
regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade, assim sendo como
podemos medir a clarividência de um agrupamento social em um determinado
período de tempo? Todos se acham tomados de luzes, o que sistematicamente o
tempo acaba por desmentir, e sempre quando relemos a história, percebemos que
as definições foram estabelecidas pela classe dominante, que é quem exerceu em
sua época o poder.
As sinalizações identificadas nos códigos
morais são todas associadas à posse e à proteção desta, a deter poder sobre as
coisas e as pessoas, e não poderia ser diferente, pois domínio e posse convivem
quase sempre em uma relação de causa e efeito, e o conjunto humano que os
cultiva se posiciona de modo conservador tanto pelo viés moral ou imoral cada
um de sua maneira representando o "Status Quo".
O buscar consciente de ser Amoral me parece o
procedimento mais adequado, ignorar e não transgredir, buscar seu próprio
referencial, isso nos aproxima da ética no sentido grego antigo de ser, uma
ação genuinamente humana, e como tal não pode ser dissociada do indivíduo.
Parece-nos muito mais simples adotarmos a
moral como guia à nossa vida, mas ninguém pode nos garantir que ela trilha o
caminho da justiça, como sempre na vida os valores são impostos pelos
vencedores, logo não temos como separar a moral do exercício do poder e da
obediência.
Quando nos acusam de não sermos éticos, estão
apenas definindo que mentimos para nós mesmos, em outras palavras creditam-se o
falso poder de nos conhecer melhor que nós próprios nos conhecemos.
Qualquer
posicionamento tomado em nome da moral é apenas obediência, submissão, apoiando-se
no vazio por falta absoluta de coordenadas próprias de pensamento.
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