quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A Moral como instrumento de Posse

     Deparo-me no vai e vem dos dias, defesas intransigentes de procedimentos pessoais, frequentemente justificadas pela moral, como se esta fosse um salvo conduto e eliminasse a necessidade de questionamentos adicionais sendo assim tudo explicando e validado por um simples carimbo: “É moral”.

     Amigos, moral nada mais é que o conjunto de costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade, assim sendo como podemos medir a clarividência de um agrupamento social em um determinado período de tempo? Todos se acham tomados de luzes, o que sistematicamente o tempo acaba por desmentir, e sempre quando relemos a história, percebemos que as definições foram estabelecidas pela classe dominante, que é quem exerceu em sua época o poder.

     As sinalizações identificadas nos códigos morais são todas associadas à posse e à proteção desta, a deter poder sobre as coisas e as pessoas, e não poderia ser diferente, pois domínio e posse convivem quase sempre em uma relação de causa e efeito, e o conjunto humano que os cultiva se posiciona de modo conservador tanto pelo viés moral ou imoral cada um de sua maneira representando o "Status Quo".

     O buscar consciente de ser Amoral me parece o procedimento mais adequado, ignorar e não transgredir, buscar seu próprio referencial, isso nos aproxima da ética no sentido grego antigo de ser, uma ação genuinamente humana, e como tal não pode ser dissociada do indivíduo.

     Parece-nos muito mais simples adotarmos a moral como guia à nossa vida, mas ninguém pode nos garantir que ela trilha o caminho da justiça, como sempre na vida os valores são impostos pelos vencedores, logo não temos como separar a moral do exercício do poder e da obediência.

     Quando nos acusam de não sermos éticos, estão apenas definindo que mentimos para nós mesmos, em outras palavras creditam-se o falso poder de nos conhecer melhor que nós próprios nos conhecemos.


     Qualquer posicionamento tomado em nome da moral é apenas obediência, submissão, apoiando-se no vazio por falta absoluta de coordenadas próprias de pensamento. 

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