Jornada de
trabalho de quatorze horas, uma das características da Revolução Industrial
renasceu, sim vejo milhares de trabalhadores nas paradas entre seis e sete
horas da manhã e retornando entre sete e meia e oito e meia, isso de segunda a
sexta, sem esquecermo-nos que muitos trabalham no sábado em turno reduzido, mas
trabalham.
Ou devemos
contar apenas o momento que o ponto foi batido, desconsiderando que esses enormes
períodos de tempo envoltos em conseguir transporte e deslocar-se entre o
trabalho e a casa, nem o governo nega isso, validando-o através da lei que
admite como acidente de trabalho os períodos de deslocamento de e para o mesmo.
Olho para a
família, como casal, os dois trabalham com objetivo de ter condições mínimas de
sustentabilidade, com essa enorme jornada realizada pelos dois, o que realmente
sobrou para a família, quando vejo críticas fáceis dizendo que os pais
abandonam a educação dos filhos aos colégios, mas como educar os filhos entre
nove da noite e cinco da manhã.
Isso que
obrigatoriamente passa esse período por necessidades de um terceiro turno na
própria casa, em sua limpeza, preparação dos alimentos, higiene e cuidados
pessoais, quando lemos as histórias daquela época e as comparamos com as de
hoje, a modernidade em nenhum momento apresenta-se como solução que permita ao
homem debruçar-se sobre si mesmo e apostar na sua felicidade e na da
convivência com seus entes-queridos.
Não estamos
nem colocando o fato de o aperfeiçoamento das formas de coação no ambiente de
trabalho, do quase inexistente conforto do deslocamento que tem como
consequência a devolução para suas casas de pessoas
emocionalmente prejudicadas, altamente estressadas, propensas a comportar-se
inadequadamente onde ainda lhe parece possível desabafar que é exatamente com
quem nada tem a ver com isso que são seus familiares.
Meu amigo não
se iluda, essa cadeia não é perversa somente com as classes economicamente
desfavorecidas, estende-se também até bem perto do topo da pirâmide social,
onde vemos as pessoas nervosas em seus veículos do início ao fim do dia, com um
pequeno consolo consumirem mais sem fugir de nenhum dos problemas que antes
colocamos.
Vida
equivalente à da Revolução Industrial em pleno século XXI nos envergonha como
humanos, e clama por nosso despertar...
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