segunda-feira, 7 de julho de 2014

Revivendo a Revolução Industrial

     Jornada de trabalho de quatorze horas, uma das características da Revolução Industrial renasceu, sim vejo milhares de trabalhadores nas paradas entre seis e sete horas da manhã e retornando entre sete e meia e oito e meia, isso de segunda a sexta, sem esquecermo-nos que muitos trabalham no sábado em turno reduzido, mas trabalham.

     Ou devemos contar apenas o momento que o ponto foi batido, desconsiderando que esses enormes períodos de tempo envoltos em conseguir transporte e deslocar-se entre o trabalho e a casa, nem o governo nega isso, validando-o através da lei que admite como acidente de trabalho os períodos de deslocamento de e para o mesmo.

     Olho para a família, como casal, os dois trabalham com objetivo de ter condições mínimas de sustentabilidade, com essa enorme jornada realizada pelos dois, o que realmente sobrou para a família, quando vejo críticas fáceis dizendo que os pais abandonam a educação dos filhos aos colégios, mas como educar os filhos entre nove da noite e cinco da manhã.

     Isso que obrigatoriamente passa esse período por necessidades de um terceiro turno na própria casa, em sua limpeza, preparação dos alimentos, higiene e cuidados pessoais, quando lemos as histórias daquela época e as comparamos com as de hoje, a modernidade em nenhum momento apresenta-se como solução que permita ao homem debruçar-se sobre si mesmo e apostar na sua felicidade e na da convivência com seus entes-queridos.

     Não estamos nem colocando o fato de o aperfeiçoamento das formas de coação no ambiente de trabalho, do quase inexistente conforto do deslocamento que tem como consequência a devolução para suas casas de pessoas emocionalmente prejudicadas, altamente estressadas, propensas a comportar-se inadequadamente onde ainda lhe parece possível desabafar que é exatamente com quem nada tem a ver com isso que são seus familiares.

     Meu amigo não se iluda, essa cadeia não é perversa somente com as classes economicamente desfavorecidas, estende-se também até bem perto do topo da pirâmide social, onde vemos as pessoas nervosas em seus veículos do início ao fim do dia, com um pequeno consolo consumirem mais sem fugir de nenhum dos problemas que antes colocamos.


     Vida equivalente à da Revolução Industrial em pleno século XXI nos envergonha como humanos, e clama por nosso despertar... 

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