sexta-feira, 25 de julho de 2014

O Tempo nos Escritos de Proust

     Relendo Marcel Proust, por sinal em tradução brilhante do nosso grande poeta Mario Quintana, que também prima pela sensibilidade e qualidade literária, em outras palavras somando arte do autor com arte do tradutor, o que encontramos é uma prosa que se apresenta como pura poesia, que encanta por seus devaneios e beleza estética.

     Mas o que me proponho a discutir com vocês é o filósofo Proust, esta característica do autor nos passa muitas vezes despercebida, escondido no texto que nos enfeitiça pelo seu mágico estilo, muitos de suas colocações sobre a vida encontram eco no meu pensar, e talvez o que mais me agrade é sua maneira de ver a questão do tempo.

     Ele o investiga, através do protagonista principal revelando as diferentes características identificadas pelo narrador que nos revelam os mesmos personagens com comportamentos completamente diferenciados ao contracenarem com ele em diferentes tempos da estória.

     Um pouco naquela linha do pensamento "O homem é o homem e a sua circunstância", que nos faz questionar o conceito de sermos uma personalidade formada e avançarmos no tempo defrontando-nos com os obstáculos naturais das relações sempre reagindo com base nessas características básicas que nos definem.

     Também me agrada demais a colocação de um mesmo fato analisado nos diversos momentos que o tempo designa ao consumidor deste, que quando trabalha esta ocorrência no hoje o desgostaria profundamente, trabalhando a mesma noutros momentos pode apresentar-se como algo completamente indiferente, ou como apaixonadamente prazeroso.

     Proust explora os dois lados da moeda, a mudança no tempo do protagonista que enxerga e do que é visto ambos não são mais os mesmos em cada porção de tempo, sendo que o primeiro ainda carrega uma imagem distorcida do que ambos eram em momentos anteriores.


     Gosto desta questão de nosso “eu” atual não reconhecer os “eu” anteriores, pois o vê com os filtros que hoje tem e principalmente de não conseguirmos avaliarmos os atos daquele outro eu, pois não éramos os mesmos.

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