terça-feira, 22 de julho de 2014

Nada Como um Bom Chute no Traseiro

     O processo é bastante claro para mim, trabalho minhas convicções, transformo-as em ritos, tal como nosso querido animal o Burro, empaco na repetição interminável dos mesmos, sou tentado a perpetuar o mesmo ritual tal como a Terra que não se nega nunca a girar em torno do Sol.

     Certo não é uma repetição simples de fatos, talvez esteja mais próximo de uma estratégia de enxadrista que privilegia a posição das peças no tabuleiro e não uma sequência de jogadas, pois dependendo do adversário na partida a posição será alcançada por diferentes caminhos.

     Sim às vezes só consigo mudar o rumo a partir de um grande impacto, tipo um bom chute no traseiro, isto é, um movimento claro do parceiro de jogo, que me encaminha decisivamente favorável à condução do mesmo, e me obriga a rever as posições do tabuleiro que tanto amava, percebo que necessito encontrar novas posições capazes de me trazer a força e o equilíbrio.

     A mãe natureza já nos mostrou esse caminho há milhões de anos, quando o impacto feroz de um ser celeste qualquer a obrigou a redefinir a vida na Terra, a era dos dinossauros terminava, outro vida começava a impor-se, nem melhor nem pior do que a anterior, apenas uma manifestação diferente que a impulsionaria para um novo ciclo de realizações.

    Temos nossos ciclos, compará-los carece de sentido, pois os mesmos aí estão para serem vividos, e sempre em plenitude, gratidão é o que devemos ter aos incidentes que em nós geram estas mudanças, podemos dizer que em cada um desses movimentos renascemos, e assim nos desvinculamos por completo do período anterior como exigência primeira para o novo momento bem o vivermos.


     Não podemos aceitar a monótona repetição das mesmas coisas, nem sempre somos os agentes da mudança, nosso convívio é sim uma grande oportunidade para a mesma, apesar de só nós mesmos podermos realizá-la. 

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