Tereza
Trautman, como um filme desta beleza não seria escrito e dirigido por uma
mulher, retrato de uma alma pura, honesta e livre, uma dádiva assisti-lo.
Na época
1973 a diretora tinha 22 anos, sua protagonista era para ser a magnifica Leila
Diniz, infelizmente faleceu antes da filmagem, mas a vejo como fonte
inspiradora desta magnifica ficção da diretora, por certo havia uma aproximação
de almas entre as duas.
Obvio
que o filme foi perseguido pelo patriarcado e seus principais representantes na
época a ditadura militar, o que foi uma história linda na cabeça deles virou
pornografia, e infelizmente privaram a população por dez anos de refletir sobre
este tema.
Brilhante
iniciar o filme com a mesma sequência do final, onde como ponto de partida se
propunham todos os questionamentos e na finalização a mesma cena explica todo
filme, ela ia ser mãe de seu filho e seus parceiros estariam ao seu lado.
A
honestidade da protagonista é algo fora de série, sempre interpretando suas
necessidades interiores, assumindo-as sem nunca deixar de preocupar-se com os
homens com quem esteve envolvida, talvez isso seja no filme a imagem perfeita
da liberdade e todas as responsabilidades que ela acarreta.
Vejo na
sequência onde ela se retira da vida do homem a quem ama naquele momento,
partindo para o isolamento na casa da amiga com os filhos desta, aguardando a
reconciliação entre o antigo e o atual como único caminho possível para se dar
o direito a felicidade um dos pontos altos do filme.
Toda a
narrativa idealiza a relação entre as pessoas, esta honestidade consigo mesmo e
partilhada com todos os parceiros da sua vida é a marca maior do filme é um
verdadeiro ensinamento do que é uma pessoa livre.
São cenas
lindas a solidariedade com a amiga, seu envolvimento com as crianças filhas
desta, sua honestidade quanto a dificuldade de ter uma vida com um foco em uma
só pessoa exposta honestamente com seus parceiros.
Em síntese vivia o amor profundamente sem abrir mão de gostar e se preocupar com todos os outros com quem partilhava sua vida e não escondia isso de ninguém, uma mulher livre e poderosa assim só podia assustar nosso conservador patriarcado.
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