terça-feira, 7 de novembro de 2023

Narrativa de pureza e liberdade - Os Homens que Eu Tive.

               Tereza Trautman, como um filme desta beleza não seria escrito e dirigido por uma mulher, retrato de uma alma pura, honesta e livre, uma dádiva assisti-lo.

 

               Na época 1973 a diretora tinha 22 anos, sua protagonista era para ser a magnifica Leila Diniz, infelizmente faleceu antes da filmagem, mas a vejo como fonte inspiradora desta magnifica ficção da diretora, por certo havia uma aproximação de almas entre as duas.

 

               Obvio que o filme foi perseguido pelo patriarcado e seus principais representantes na época a ditadura militar, o que foi uma história linda na cabeça deles virou pornografia, e infelizmente privaram a população por dez anos de refletir sobre este tema.

 

               Brilhante iniciar o filme com a mesma sequência do final, onde como ponto de partida se propunham todos os questionamentos e na finalização a mesma cena explica todo filme, ela ia ser mãe de seu filho e seus parceiros estariam ao seu lado.

 

               A honestidade da protagonista é algo fora de série, sempre interpretando suas necessidades interiores, assumindo-as sem nunca deixar de preocupar-se com os homens com quem esteve envolvida, talvez isso seja no filme a imagem perfeita da liberdade e todas as responsabilidades que ela acarreta.

 

               Vejo na sequência onde ela se retira da vida do homem a quem ama naquele momento, partindo para o isolamento na casa da amiga com os filhos desta, aguardando a reconciliação entre o antigo e o atual como único caminho possível para se dar o direito a felicidade um dos pontos altos do filme.

 

               Toda a narrativa idealiza a relação entre as pessoas, esta honestidade consigo mesmo e partilhada com todos os parceiros da sua vida é a marca maior do filme é um verdadeiro ensinamento do que é uma pessoa livre.

 

               São cenas lindas a solidariedade com a amiga, seu envolvimento com as crianças filhas desta, sua honestidade quanto a dificuldade de ter uma vida com um foco em uma só pessoa exposta honestamente com seus parceiros.

 

               Em síntese vivia o amor profundamente sem abrir mão de gostar e se preocupar com todos os outros com quem partilhava sua vida e não escondia isso de ninguém, uma mulher livre e poderosa assim só podia assustar nosso conservador patriarcado. 

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