sábado, 19 de março de 2022

O Indivíduo Homem, uma Mentira na Passarela Terra.

 

                Não que o queiramos, de maneira alguma o premeditamos, porém nos transformamos na nossa melhor mentira, perdemos a capacidade de identificar o indivíduo existente em cada um de nós.  

 

                Proclamamos eu isso, eu aquilo por todos os nossos caminhos sem que nenhuma destas afirmações consigam passar pelo nosso detector de mentiras particular que é nossa consciência.

 

                Os mantras se emanciparam, ganharam vida própria e desfilamos nosso dia a dia fantasiados por alguns destes confundindo-nos em diferentes rebanhos como se indivíduos fossemos.

 

                Em grande maioria desistimos de inquirirmo-nos a nosso respeito, buscamos movimento, buscamos distração e assim mais fácil é transformarmo-nos de indivíduos em atores de um pensar do qual nem a origem conhecemos.

 

                Embora pareça confortável e assim se mostre no convívio social, de fato sua realidade se escancara na quantidade enorme de seres humanos em depressão, sem sermos indivíduos nada nos satisfaz nos falta o principal o encontro de cada um consigo mesmo.

 

                O momento rebanho, quando escravos de pensamentos sem dono, é a própria negação da vida, sentimos um mentiroso conforto de pertencer a alguma coisa que de fato não existe e como tal negamos a nós mesmos.

 

                A grande sacada da literatura é a possiblidade de desenharmos personagens perfeitos, heróis e vilões capazes de nos ativar todos os sentidos, não há indivíduos assim somos sempre uma mistura de herói e vilão e isto é ser humano.

 

                Temos sim que mentir uns aos outros porque não estamos mais preparados para ver a nós mesmos e ao outro como de fato somos e assim passamos a ser personagens não da nossa própria ficção, mas de uma qualquer que adotamos.

 

                Como disse Nietzsche muito tempo levaremos para entender seu Zaratustra que é a tentativa mais feliz para construir um personagem humano, demasiado humano, quem dera pudermos em presente breve nos encontrarmos cada um de nós como indivíduos e assim cumprirmos nossa vocação humana.   

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