terça-feira, 15 de setembro de 2020

Cartas Extraviadas - Para o Neoliberal.

 

Em setembro, Porto Alegre 2020.

 

Caro Neoliberal, tudo bem!

 

                Se lhe escrevo estas linhas é tão somente por acreditar na humanidade, tenho absoluta certeza que ela está presente em você, embora escondida em equivocadas convicções, o que por certo não lhe desmerece apesar de exigir uma reflexão crítica da qual me obrigo a não omitir-me.

 

                Sempre penso na questão das oportunidades, os fatos estão sempre a desmentir sua igualdade o que acredito não possas negar, não admitir que berço é um privilégio infelizmente é uma apropriação indevida de uma benesse que deveria ser de todos e como tal é um ilícito.

 

                Toda e qualquer herança de saúde física, intelectual bem como financeira, deves convir, tem origem em uma apropriação indébita do trabalho de outros no passado, apenas usufruí-la não é suficiente e não nos absolve, exige-nos colocar nossos privilégios na luta para restabelecer as condições de igualdade.

 

                Quando o vejo envolvido e defendendo projetos que ampliam a desigualdade social, aumentando em lugar de diminuir privilégios, não posso evitar de alertá-lo sobre o equívoco destas posições, são sempre contra o homem e contra a natureza.

 

               Sua defesa naturalmente injusta do conceito de mérito lhe remete para uma posição de escolhido, o que não tem amparo na realidade de uma comunidade de humanos, ou somos todos escolhidos ou não somos uma comunidade.

 

                Não me parece necessário elencar lhe uma lista de posições equivocadas que o vejo defender, pois todas são construídas em base ao mesmo alicerce a lei do direito à violência para sobrepor-se a outros, onde construímos inimigos e não parceiros de caminhada.

 

                As consequências deste comportamento criminoso estão escancaradas na sociedade hoje, uma miséria reservada a maior parte da população em benefício de uma minoria e a geométrica destruição do ecossistema planetário para ampliar estes imerecidos privilégios.

 

                Assim como na areia da praia as marcas de pés são belas independente do gênero, da raça, do tamanho, ou das posses de quem as imprimiu esta igualdade deveria ser pré-condição de todas as relações que temos na vida, afirmo que é por gostar de ti como ser humano que tenho que combater e desmontar estas suas ideias equivocadas sobre a humanidade, minhas sinceras saudações.  

Um comentário:

  1. Belo texto. Questiona a meritocracia que mascara a apropriação indébita obtida pelo emprego da violência. Vai ao ponto!

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