Em setembro, Porto Alegre 2020.
Caro Crente, tudo bem!
Sempre
que conversamos, agora ao escrever-lhe, me vem à mente o grande desencontro entre
o que vives e o que sustenta seu viver, não lhe parece difícil compactuar com
um permanente amém a princípios ditados por outrem o que a mim nega na prática
a religiosidade.
Quando
vejo conceitos que não passam pelo seu próprio filtro pessoal serem assumidos
como dogmas me entristeço pelo que representa de diminuição da humanidade a
falta de exercício de liberdade que nos dá o livre arbítrio.
Sempre
penso em espírito livre como maior testemunho de fé do homem por si mesmo, se
não testemunhas sua humanidade serves contra a comunidade de seres humanos e ao
combater a si mesmo estais a combater a todos.
Nunca
lhe contestei o direito de unir-se a outros na busca de trabalhar conceitos espirituais,
mas lhe combato sempre o ato de aderir incondicionalmente a verdades
proclamadas como ato de fé.
O
próprio conceito de fé é inumano porque lhe tira o direito de determinar-se em
nome de uma submissão intelectual a um conceito, quando sempre o soubemos os
conceitos redefinem-se nas sucessivas máscaras do tempo.
Não
tenho pretensão nenhuma de influenciar-te nestas linhas, apenas me permito e me
obrigo a comunicar-lhe o que penso pois senão incorro em erro comigo mesmo ao
sonegar-lhe o meu conceito sobre a crença e a postura do crente.
Não
podemos começar nosso caminho seguindo pegadas pré-traçadas na areia, pois caminhadas
às cegas são de fato negação da vida e nada pode sustentar como humano tal
procedimento, não somos rebanho para seguir uma ovelha mestre.
Mais
tranquilo por ter lhe exprimido meu pensar lhe desejo tudo do melhor, um
abraço.
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