Em setembro, Porto Alegre 2020.
Caro Neoliberal, tudo bem!
Se lhe
escrevo estas linhas é tão somente por acreditar na humanidade, tenho absoluta
certeza que ela está presente em você, embora escondida em equivocadas
convicções, o que por certo não lhe desmerece apesar de exigir uma reflexão crítica
da qual me obrigo a não omitir-me.
Sempre
penso na questão das oportunidades, os fatos estão sempre a desmentir sua
igualdade o que acredito não possas negar, não admitir que berço é um
privilégio infelizmente é uma apropriação indevida de uma benesse que deveria
ser de todos e como tal é um ilícito.
Toda e
qualquer herança de saúde física, intelectual bem como financeira, deves convir,
tem origem em uma apropriação indébita do trabalho de outros no passado, apenas
usufruí-la não é suficiente e não nos absolve, exige-nos colocar nossos privilégios
na luta para restabelecer as condições de igualdade.
Quando
o vejo envolvido e defendendo projetos que ampliam a desigualdade social,
aumentando em lugar de diminuir privilégios, não posso evitar de alertá-lo
sobre o equívoco destas posições, são sempre contra o homem e contra a
natureza.
Sua defesa naturalmente injusta do
conceito de mérito lhe remete para uma posição de escolhido, o que não tem
amparo na realidade de uma comunidade de humanos, ou somos todos escolhidos ou não
somos uma comunidade.
Não me
parece necessário elencar lhe uma lista de posições equivocadas que o vejo
defender, pois todas são construídas em base ao mesmo alicerce a lei do direito
à violência para sobrepor-se a outros, onde construímos inimigos e não parceiros
de caminhada.
As
consequências deste comportamento criminoso estão escancaradas na sociedade
hoje, uma miséria reservada a maior parte da população em benefício de uma
minoria e a geométrica destruição do ecossistema planetário para ampliar estes
imerecidos privilégios.
Assim como
na areia da praia as marcas de pés são belas independente do gênero, da raça,
do tamanho, ou das posses de quem as imprimiu esta igualdade deveria ser
pré-condição de todas as relações que temos na vida, afirmo que é por gostar de
ti como ser humano que tenho que combater e desmontar estas suas ideias equivocadas
sobre a humanidade, minhas sinceras saudações.
Belo texto. Questiona a meritocracia que mascara a apropriação indébita obtida pelo emprego da violência. Vai ao ponto!
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