quinta-feira, 10 de outubro de 2019

O Combate é o Mesmo, Apesar de Mais Evidente.


                Se hoje a luta se nos apresenta escancarada, não é porque não havia, mas tão somente por esconder-se em uma guerra fria, no jogo democrático o acaso contribui para a alternância no poder desde que bem utilizado pelas forças em disputa.

                Particularmente até prefiro assim com a cara a mostra, a dádiva de perceber que tão pouco são capazes de serem espíritos livres nos mostra o quanto fomos incapazes de evangelizar a necessidade de viver, para nossa tristeza ainda grande parte da humanidade se agarra em dogmas para não desabar.   

                Já perceberam que não fantasio ilusões, em ambos os campos da disputa, na maioria não se percebe o mínimo esforço de pensar e analisar o já pensado, o espírito crítico parece cada dia mais ausente, preferimos o aparente conforto do tédio e sua condição incômoda de tornarmo-nos mortos vivos há apostar no ato do criar.

                Nossas redes sociais espelham isso no dia a dia, pessoas cantando refrões em uníssono sem se atentarem ao seu significado, que parece de somenos importância, o que interessa é passá-lo adiante, defendê-lo com violência, com ódio e muita ignorância com novas palavras de ordem.

                Estamos em momento de lago e não de mar, preferimos a segurança imóvel do vazio de uma falsa verdade adotada ao acaso pelas circunstâncias da vida, ao movimento constante das ondas que em seu eterno retorno nos questionam permanentemente quanto a nossas verdades, obrigando-nos a repensarmo-nos continuadamente.

                Este movimento ao qual entregamo-nos tem nome, o medo a liberdade, nele abraçamos a escravidão validando atos indignos do homem contra a natureza, livrando-nos da nossa culpa por nossa continuada diminuição da vontade do poder.

                Assim passamos a ser e a levar a sério uma caricatura de sociedade, passamos a dar importância a coisas que nem merecem nossa atenção, passamos a combater inimigos que já estão enterrados por sua própria inconsistência como espírito e corpo, abrimos mão do bom combate que é o nascimento dos homens livres.

                Lamentavelmente rebaixamos o tom do debate trocando o evangelizar da criação de um mundo novo por um permanente participar desta ladainha de bobagens que não se sustentam por si só, e isto só serve aos fracos de espírito pois traz em seu rasto o desperdício de nosso tempo em não avanço para a natureza e humanidade.

Nosso brado deve ser pela construção cultural deste mundo novo que todos sonhamos, não podemos abrir mão de sermos arautos da boa nova, o combate ao inimigo deve ser constante sem ser prioritário em relação a construção de espíritos livres.  

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