Pode
bizarro parecer, mas não encontro motivos que justifiquem este continuado
catalogar como ruim ou bom dos acontecimentos em que participamos, a
experiência do viver é justificava perfeita em si mesma, dispensando por certo
qualquer qualificador.
Se
aumenta a adrenalina ou baixa a pressão são apenas movimentos necessários das
nossas diversas partes e como tal nos são uteis, necessários e pertinentes ao
maravilhoso ato de viver, só morrer em vida nos afasta do festival de efeitos
que cada ato por nos feito agrega e consagra.
Se toco
neste tema é tão somente para desnudar uma dificuldade minha de entendimento em
relação a tantos que vejo entrincheirados entre quatro paredes, escondidos embaixo
de cobertores, fugindo da convivência com outros iguais, sob conta de uma
suposta proteção a mágoa quando de fato tornam tediosa a existência e impossível
a felicidade.
Também
me preocupa, e muito, a adesão gratuita a correntes de pensamento, quase sempre
carimbadas por um expoente de momento, ao qual aderimos por incompreensões em relação
a nós próprios e não por discernimento.
Caminhar
todos os caminhos, apesar de incógnitos, sem fugir de um vigoroso risco que é o
presente, mas só é risco pelo próprio significado do existir que como sabemos é
finito, aceitando sua finitude podemos jogarmo-nos por completo na felicidade
tanto do que nos é negado como do que é presenteado pela natureza em seu dia a
dia.
Não me
comove ver as pessoas adiando o hoje eternamente para o amanhã, me entristece
sim a quantidade fantasiosa de barreiras criadas, como se dificuldades não
fossem sinônimo do próprio prazer, quanto esforço gasto em fugir do simples
viver.
Como
conseguimos criar tantos mecanismos para negar nossos sentidos, como passamos a
adorar o medo como justificativa de nossa negação ao movimento, como trocamos a
ofensiva trepidante pela paralisia defensiva, como escolhemos á morte e não a
vida.
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