sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Não é ruim, não é bom, apenas vida.

                Pode bizarro parecer, mas não encontro motivos que justifiquem este continuado catalogar como ruim ou bom dos acontecimentos em que participamos, a experiência do viver é justificava perfeita em si mesma, dispensando por certo qualquer qualificador.  

                Se aumenta a adrenalina ou baixa a pressão são apenas movimentos necessários das nossas diversas partes e como tal nos são uteis, necessários e pertinentes ao maravilhoso ato de viver, só morrer em vida nos afasta do festival de efeitos que cada ato por nos feito agrega e consagra.

                Se toco neste tema é tão somente para desnudar uma dificuldade minha de entendimento em relação a tantos que vejo entrincheirados entre quatro paredes, escondidos embaixo de cobertores, fugindo da convivência com outros iguais, sob conta de uma suposta proteção a mágoa quando de fato tornam tediosa a existência e impossível a felicidade.

                Também me preocupa, e muito, a adesão gratuita a correntes de pensamento, quase sempre carimbadas por um expoente de momento, ao qual aderimos por incompreensões em relação a nós próprios e não por discernimento.

                Caminhar todos os caminhos, apesar de incógnitos, sem fugir de um vigoroso risco que é o presente, mas só é risco pelo próprio significado do existir que como sabemos é finito, aceitando sua finitude podemos jogarmo-nos por completo na felicidade tanto do que nos é negado como do que é presenteado pela natureza em seu dia a dia.

                Não me comove ver as pessoas adiando o hoje eternamente para o amanhã, me entristece sim a quantidade fantasiosa de barreiras criadas, como se dificuldades não fossem sinônimo do próprio prazer, quanto esforço gasto em fugir do simples viver.

                Como conseguimos criar tantos mecanismos para negar nossos sentidos, como passamos a adorar o medo como justificativa de nossa negação ao movimento, como trocamos a ofensiva trepidante pela paralisia defensiva, como escolhemos á morte e não a vida.

                Amigos cada instante independentemente da cor interna que reflete, ora o azul da tranquilidade, ora o vermelho da paixão, ora o verde da esperança, ora tantas outras com seus respectivos significados, é sim nosso momento máximo mais prazeroso e feliz e é o que nos torna pleno.  

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