terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Louco, sim claro...

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não prostituir-se ao agradar fácil, que não iludir-se pela sedução do pretenso interesse descompromissado no meu bem estar demonstrado por terceiros, que não capitular ante uma manifestação desenfreada de bondade não é o comportamento desejado pelos parceiros de caminhada.

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não compartilhar verdades de uma maioria desenhada no momento por lá se sabe que influência, que não esconder suas verdades com uma máscara de convivência social, que não vender uma imagem de feliz bem sucedido conduzem ao discriminatório isolamento decretado aos perigosos para um falso bem comum.

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não pisar sobre os injustiçados roubando-lhes ainda o pouco que lhes sobrou, que não aderir ao sistema de mérito que nada mais é do que vestígios claros de privilégios herdados, que não aceitar a proteção de falsos deuses aos nossos desmandos contra a humanidade te torna pessoa não grata ao medíocre sistema estabelecido.   

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não amar-se tanto a ponto de prescindir do outro como muleta, que não acreditar na submissão a quem quer que seja como referencia de gostar, que não engordar o egoísmo de quem só aceita o outro quando ele tem a cara que o seu imaginário construiu te cola a etiqueta de desequilibrado físico emocional.

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não participar do canibalismo do homem pelo homem, que não aceitar e construir escadas de ascensão nas diferentes pirâmides inventadas para discriminar uma maioria ante autoproclamadas escolhidas minorias, que não louvar o poder por entendê-lo espúrio e usurpador te condenam a ser aprisionado em mecanismos de controle social escondidos na falsa ciência.

     Louco, sim claro porque não, sempre soube que não engolir verdades de um pretenso consenso estabelecidas por uma moral que humilha o homem, que não admitir o processo que domestica a cada homem desde a sua gestação é projeto claro de desmonte do ser humano te rotula de revoltado desagregador social.


     Louco, sim claro porque não, se não sou peça desta maquina infernal de construção de escravos, se não sou objeto de consumo destes organismos políticos sociais dedicados ao controle, se não preciso de mandamentos que não sejam os que eu consiga construir, se respeito todas as ideias desde que não seja obrigatória minha aderência a nenhuma delas, se necessito andar pelos meus passos e tão somente ao lado de quem também anda pelos seus então concluo que sou louco, sim claro...

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