domingo, 25 de junho de 2017

Impotência do ser

     Quando o mundo te pega de jeito ao lhe impor a humildade de perceber sua impotência de marcar com rumos felizes os caminhos das pessoas a quem amas, a tua insignificância frente aos desatinos programados pela selvageria torna-se tão evidente que o gosto das tuas palavras doces traduz-se em cheiros amargos, tens que lutar bravamente contra a tristeza interna que tal incapacidade lhe provoca, o que lhe salva por certo é o conhecimento que tal estado de espirito além de nada ajudar só pode arrastar suas benquerenças a situações mais difíceis.

     Seus conselhos contra a fome mais parecem ironias de quem de barriga cheia ostenta tal superioridade contra o amado, sua fortaleza mais cheira a opressão do bem aquinhoado sobre o desassistido, seus privilégios respingam como gotas potentes de fel a queimar o espirito do desprovido, todas tuas juras de amor transformam-se em sentenças vazias a condenar-te a infertilidade de gerar felicidade independendo de que esta seja teu principal desejo.

     Esta tua alma cujo cheiro abraça a ti mesmo tendo o tamanho da aridez do deserto onde teus intentos oscilam entre a noite que esmaga de frio a quem mais queres e como contraponto o dia que infecta de febre o ser que desejas amar e proteger, maldita hora esta onde enxergas teu ventre murcho e estéril, todas tuas boas intenções são apenas uma multidão de inutilidades que mais atrapalham o alvo de tua devoção.

     Dos inimigos mais fortes não lhe assustam as ameaças que contra ti teimam em transformar em realizações, podes sim enfrenta-las e vencê-las sempre, todavia contra os seres que tens os maiores e melhores sentimentos em teu coração estes mesmos adversários triunfam sobre ti por tua completa falta de destreza em combater.

     Neste tribunal onde te julgas tens a sentença a priori lavrada com a condenação pesando sobre ti mesmo, a guilhotina que decepa o mais bonito existente em ti o teu bem querer por outrem te separa do prazer e da felicidade que são a síntese do que denominamos ser humano.

     Pode parecer injusto que as coisas assim lhe aconteçam, sentimento este que de cara em ti é contradito pela admissão que não soubeste ler todos os indicativos relacionados à aproximação da tormenta, apesar dos mesmos estarem escancarados na tua frente, entre tantos motivos talvez o principal seja o desleixo de olhar o céu ou quem sabe o preocupar-se demais com seu umbigo que o cegou ante a tragédia e contra esta hoje somente consegues lamentar.    

     Resta então erguer a cabeça submeter-se ao aprendizado que levará a enfrentar melhor preparado as inconstâncias do porvir, vivendo sempre melhores presentes que é tudo em que se pode confiar e acreditar. 

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