Nossa vocação
social para assassino serial é por demais conhecida, explorada nas dobras do
tempo desde sempre por filósofos, artistas e pensadores em geral que ao liberar
aos quatro ventos a bandeira da esperança nos alertam quanto ao risco de
matança desordenada de seres humanos que a dita civilização teima em realizar.
Ouvidos moucos
são o que mais temos em uma cegueira crescente que se estabelece como movimento
coletivo suicida, enfim decididamente verificamos que as pessoas abriram mão de
pensar, desistiram de ser e dedicam-se a este tipo de esporte do qual, por mais
que tente, não consigo entender as regras, jogam-se aleatórias trocas de
palavras, empilhadas em frases que são cópias da copia copiada, para nada dizer
além do fato de que se abriu mão da vida inteligente.
Sempre que
pudermos acordar que a finalidade da vida é o prazer, acrescido da necessidade
de embriagarmo-nos de felicidade e admitindo que só possam ocorrer tais realizações,
prazer e felicidade, se nos posicionarmos por conscientemente transitarmos onde
de fato todas as coisas acontecem que é o espaço da plena compreensão e completo
uso de todos os sentidos deste nosso corpo uno em suas dimensões físico espiritual.
Como então
justificarmos esta sequência de passos em falso que insistimos em realizar com um
continuado processo de movimentos inúteis onde nunca sairmos do lugar, pois são
apenas reflexos condicionados pela sociedade, dita civilizada, em assumida fuga
do desejável encontro do eu, quando o sabemos ser este último, o ato de
encontrar-se, o único a ter o potencial libertador capaz de realizar em nós a
vida.
Organizamos as
coisas e as operações em favor do manter o homem sempre ocupado, com inutilidades
para si e para os outros, mantendo-o distraído de seus próprios fins e desejos,
não satisfeitos com esta armadilha contra a sadia existência humana, avançamos em
nossos propósitos falsificando desejos para mantê-lo preso a esta cadeia de
desesperança, pois a realização de falsos desejos apenas gera angústia, depressão
e uma viciosa busca de novas miragens.
Neste estágio quando
o homem busca satisfazer a sua vocação social não mais quer o homem de carne e
osso, mas sim a imagem de um ser inexistente, cujo resultado é minar de antemão
o relacionamento possível entre nós seres humanos, conduzindo-o ao fracasso dos
desenganos e ao clima de antagonismos que vemos hoje na maior parte das
relações, no fundo é o encontro de traídos pelos seus próprios equívocos.
O brado que vejo
em crescimento na nossa comunidade de seres pensantes é por um encontro de
caminhos que possam permitir construção pessoal de homens livres capazes de lançarem-se
na direção aos outros seres humanos em situação de igualdade e fraternidade, e assim
irmanados conviver em grande harmonia com a natureza como um todo, aí esta uma
boa luta para defender e incentivar.
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