domingo, 4 de dezembro de 2016

Esparrama-se a Morte no seu Duplo a Vida.

     Em todo o acontecer o seu duplo faz-se presente o que nos facilita interpretar o existir por sua própria negação e amplia as possibilidades do nosso ponto de vista, portanto potencializa o pensar, desdobrando-se em várias visões com os seus diferentes ângulos consigo ver o que aparenta ser um mesmo fato que assim despido se mostra por inteiro a nós com sua existência multidimensional quem sabe uma extensão da realidade expandida hoje anunciada como o futuro na sua dimensão virtual.

     Na prática só me é permitido entender o carinho ou a agressão representada por uma delicadeza ou por uma grosseria independente de ser física ou intelectual se puder me colocar não só sobre a perspectiva do amante e do amado do agressor e do agredido como também de todos os partícipes diretos ou indiretos da ocorrência, deveria ser capaz não só de avaliar o dar e o sentir de um beijo o dar e o sentir de um soco independente de real ou figurativo, representado por sua imagem de um sorriso projetando felicidade ou de um olho roxo indicando dor, de um espírito enaltecido ou de uma alma humilhada como também das suas consequências nos parceiros que em sua cadeia de relacionamentos os atores irão interagir em sequência ao ato original.

     Do mesmo modo que vivo um pouco a cada instante posso exercitar a morte passo a passo consciente que não devo considerar essas duas ações entre si analógicas e sim complementares, sempre que possa virar-me do avesso pela percepção de que somos olhares e de que somos dados simultaneamente acumulo análises ampliando-as, à medida que consiga avançar ainda mais a ponto de sair de mim mesmo e visualizar-me pelo outro, sim não desconheço que são tantos outros, mas quanto mais o forem maior o big data que tenho à minha disposição a permitir-me construir os algoritmos necessários do verdadeiro conhecimento da minha essência isto é da própria existência que sabido transcende em direção ao outro.

     O tom é a competição não aquele da sonhada construção de um mundo mais justo pelo crescimento do outro como baliza da melhoria global onde cada passo acima de um leva os outros consigo e sim o do rancor dos fracos de espírito incapazes de avançar e que por isso concentram todos os seus esforços para diminuir os outros assim satisfazendo seu amor próprio pela comparação entre os piores carregando consigo a humanidade nesta queda livre o desfiladeiro da desesperança.

     Esparrama-se a morte no seu duplo a vida cada vez mais apequenada em um tempo que é hoje diminuída por esta volúpia do movimento esta superficialidade das leituras pela metade e das manifestações impensadas, da visão estreita de um espírito mal formado incapaz de entender a diversidade das pessoas das coisas e dos fatos, assim o é não pelo acaso, mas pela ação deliberada de uma sociedade que necessita em todos os níveis especializar-se com intuito de ter o suficiente número de peças para o bom funcionamento desta máquina infernal que é a sociedade capitalista com seu objetivo de produzir lixo destruindo a natureza acumulando riqueza e semeando angústia e infelicidade.    

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