Em todo o
acontecer o seu duplo faz-se presente o que nos facilita interpretar o existir
por sua própria negação e amplia as possibilidades do nosso ponto de vista,
portanto potencializa o pensar, desdobrando-se em várias visões com os seus diferentes
ângulos consigo ver o que aparenta ser um mesmo fato que assim despido se
mostra por inteiro a nós com sua existência multidimensional quem sabe uma
extensão da realidade expandida hoje anunciada como o futuro na sua dimensão
virtual.
Esparrama-se a morte no seu duplo a vida cada
vez mais apequenada em um tempo que é hoje diminuída por esta volúpia do
movimento esta superficialidade das leituras pela metade e das manifestações
impensadas, da visão estreita de um espírito mal formado incapaz de entender a
diversidade das pessoas das coisas e dos fatos, assim o é não pelo acaso, mas
pela ação deliberada de uma sociedade que necessita em todos os níveis especializar-se
com intuito de ter o suficiente número de peças para o bom funcionamento desta máquina
infernal que é a sociedade capitalista com seu objetivo de produzir lixo
destruindo a natureza acumulando riqueza e semeando angústia e
infelicidade.
Na
prática só me é permitido entender o carinho ou a agressão representada por uma
delicadeza ou por uma grosseria independente de ser física ou intelectual se
puder me colocar não só sobre a perspectiva do amante e do amado do agressor e
do agredido como também de todos os partícipes diretos ou indiretos da
ocorrência, deveria ser capaz não só de avaliar o dar e o sentir de um beijo o
dar e o sentir de um soco independente de real ou figurativo, representado por
sua imagem de um sorriso projetando felicidade ou de um olho roxo indicando
dor, de um espírito enaltecido ou de uma alma humilhada como também das suas
consequências nos parceiros que em sua cadeia de relacionamentos os atores irão
interagir em sequência ao ato original.
Do mesmo
modo que vivo um pouco a cada instante posso exercitar a morte passo a passo
consciente que não devo considerar essas duas ações entre si analógicas e sim
complementares, sempre que possa virar-me do avesso pela percepção de que somos
olhares e de que somos dados simultaneamente acumulo análises ampliando-as, à
medida que consiga avançar ainda mais a ponto de sair de mim mesmo e
visualizar-me pelo outro, sim não desconheço que são tantos outros, mas quanto
mais o forem maior o big data que tenho à minha disposição a permitir-me
construir os algoritmos necessários do verdadeiro conhecimento da minha
essência isto é da própria existência que sabido transcende em direção ao outro.
O tom é
a competição não aquele da sonhada construção de um mundo mais justo pelo
crescimento do outro como baliza da melhoria global onde cada passo acima de um
leva os outros consigo e sim o do rancor dos fracos de espírito incapazes de
avançar e que por isso concentram todos os seus esforços para diminuir os
outros assim satisfazendo seu amor próprio pela comparação entre os piores carregando
consigo a humanidade nesta queda livre o desfiladeiro da desesperança.
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