Em torno de um
trago línguas soltas refletem pensamentos do momento onde quase sempre mais
vale ganhar a discussão do que ter razão e parece que o mundo virou uma enorme
mesa de bar, o que por si só não é um mal caso como na parceria do boteco
noutro dia estivesse tudo zerado pronto para um novo apito inicial e bola pra
frente, a brincadeira do momento é juntar frases em forma de argumento sem
compromisso com nenhum embasamento teórico ou prático, pensá-los está fora de
cogitação é na força do grito palavras de ordem definidas como verdade primeira,
portanto dispensam quaisquer justificativas ou razão desde que sejam gritadas
com raivosa agressividade por falsos surdos empenhados em falar e descompromissados
com o ouvir.
Para que ler um
livro se posso em qualquer citação ver a frase que me interessa mesmo que
esteja fora do contexto da obra original ou inclusive que resulte de uma falsa
interpretação desta, o importante é que me dê à razão e assim sirva como
token incontestável a autorizar-me a gritar meus cantos de uma guerra
antecipadamente ganha já que não reconheço o direito do adversário de ter algum
tipo de reação inteligente, em outras palavras venço por decreto consagrando um
desrespeito ao oponente e quase sempre derivando para um descambar em burlescas
agressões como se o xingamento fosse a própria razão, por infelicidade é isso
que encontro na maior parte das manifestações.
Vejo também que nem
sempre dá segurança este comportamento simplório muitas vezes é de bom tom
ceder à tentação de criar nossas próprias mentiras falsificando os fatos no
sentido de certificarem a nossa versão preferencialmente nos servindo como fala
o dito popular de que um fato inventado repetido muitas vezes torna-se real no
imaginário de quem nos cerca e até nós mesmos de modo inconsciente o renegamos como
fruto de nossa fértil imaginação, satisfeitos propagamos inverdades sobre
terceiros que como as penas de um travesseiro depois de espalhadas pelo vento
impossível de ser recuperadas serão.
Parece parte da
receita nunca deixar de utilizar as ditas palavras sagradas Deus, família e
propriedade, que tem a força de em seu nome validar qualquer coisa independente
de ser uma simples argumentação, um ato violento ou até uma guerra de
extermínio via subnutrição via desequilíbrio emocional via humilhação reiterada
como o são as batalhas modernas, pois embora não sabendo os porquês essas invenções
do homem permitem-lhe exercer a autoridade de tão bem plantadas que estão na dita
moral da humanidade, chega a ser incompreensível pela
negação de seu próprio significado os atos que se executam em nome dessa
santíssima trindade de vocábulos que no fundo significam uma e mesma coisa o
direito de exercer poder.
Confesso minha impotência
para lutar contra esse quadro mesmo assim não cedo ao impulso de retirar-me do
campo de batalha, permaneço partilhando este mundão mesa de bar mesmo sendo a minha
posição minoritária a que propaga e mantém a esperança do fim da exploração do
homem pelo homem.
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