Foi de supetão,
vocês sabem como é quando você esbarra no nada, foi assim que o vi na cúpula
principal da igreja travado no silêncio das imagens aturdido por um barulho
interior que lhe causava aquela revelação, não conseguia expressá-la em gestos
ou palavras, estava nele e isso era tudo, aguardava recuperar-se do impacto da
contradição que estava viva nele, isso o sabia bem só o conseguiria embalando
seus pensamentos no ritmo dos passos de seu caminhar quando então o instante
explodiria tal qual um “Big Bang” em um fluxo de palavras sequenciadas no tempo.
Os primeiros
passos desenhavam a palavra “Incerteza” como tradução aproximada do seu momento
interior, no primeiro esbarrão casual com um transeunte o entendimento começa a
funcionar como razão surgindo o contraponto representação interna do outro
carregado de “fé”, ou seja, começamos a falar de certeza o que lhe parecia
incompreensível no desenvolvimento dos seus juízos internos.
Pensava “aceitar
como verdade absoluta os princípios por uma entidade religiosa...” enquanto
ouvia toda uma argumentação para convencê-lo e convertê-lo à rebelião que crescia
em seu interior, “essa noção de acreditar que remete para uma atitude de fidelidade...”,
não podia compreender o discurso tentando justificar um dogma que por si só,
por um ato de fé, deve ser assumido como verdade e apenas isso “se é por
decreto não o pode nem mesmo ser argumentado”, tinha vontade de pedir que as
colocações feitas pelo outro fossem suspensas o respeito ao outro o mantinha
atento apesar de não poder compreendê-lo.
Passaria por
certo enfrentando novos encontros com certezas de todos os tipos filosóficas,
políticas, econômicas, sociais sendo que uma simples olhada para trás no tempo
lhe mostrava a hipocrisia dessas verdades sempre construídas como justificativa
para rios de sangue em nome de deuses para tal inventados, sim os deuses que
criamos são os mentores das guerras inclusive da mais terrível que é a
humilhação do homem pelo homem, ocorrendo aos milhares no dia a dia dos nossos
tempos e desde sempre.
Ele tinha de si
para consigo tão somente a incerteza e essa lhe abria os olhos para a infinita
quantidade de decisões a tomar onde a inexistência de um guia gratificava-o
pelo olhar trezentos e sessenta graus que a cada passo era obrigado a dar para
a escolha do passo seguinte, ninguém lhe podia cobrar
coerência a vivia passo a passo, tinha noção clara que o tempo e o espaço eram
as únicas verdades que o definia desde que reduzidos à ocasião.
Apesar de
respeitar e estudar todas para ele nesse instante, tão somente nesse instante,
nunca seria parte integrante de uma entidade religiosa, conceito que estendia
para professar qualquer tipo de fé.
Não se esgota aí esse
caminhar, seguirei a contar-lhes seus passos, se assim lhes interessar...
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