sábado, 16 de julho de 2016

O Caminhante, no Impacto da Contradição.

     Foi de supetão, vocês sabem como é quando você esbarra no nada, foi assim que o vi na cúpula principal da igreja travado no silêncio das imagens aturdido por um barulho interior que lhe causava aquela revelação, não conseguia expressá-la em gestos ou palavras, estava nele e isso era tudo, aguardava recuperar-se do impacto da contradição que estava viva nele, isso o sabia bem só o conseguiria embalando seus pensamentos no ritmo dos passos de seu caminhar quando então o instante explodiria tal qual um “Big Bang” em um fluxo de palavras sequenciadas no tempo.

     Os primeiros passos desenhavam a palavra “Incerteza” como tradução aproximada do seu momento interior, no primeiro esbarrão casual com um transeunte o entendimento começa a funcionar como razão surgindo o contraponto representação interna do outro carregado de “fé”, ou seja, começamos a falar de certeza o que lhe parecia incompreensível no desenvolvimento dos seus juízos internos.

     Pensava “aceitar como verdade absoluta os princípios por uma entidade religiosa...” enquanto ouvia toda uma argumentação para convencê-lo e convertê-lo à rebelião que crescia em seu interior, “essa noção de acreditar que remete para uma atitude de fidelidade...”, não podia compreender o discurso tentando justificar um dogma que por si só, por um ato de fé, deve ser assumido como verdade e apenas isso “se é por decreto não o pode nem mesmo ser argumentado”, tinha vontade de pedir que as colocações feitas pelo outro fossem suspensas o respeito ao outro o mantinha atento apesar de não poder compreendê-lo.

     Passaria por certo enfrentando novos encontros com certezas de todos os tipos filosóficas, políticas, econômicas, sociais sendo que uma simples olhada para trás no tempo lhe mostrava a hipocrisia dessas verdades sempre construídas como justificativa para rios de sangue em nome de deuses para tal inventados, sim os deuses que criamos são os mentores das guerras inclusive da mais terrível que é a humilhação do homem pelo homem, ocorrendo aos milhares no dia a dia dos nossos tempos e desde sempre.

     Ele tinha de si para consigo tão somente a incerteza e essa lhe abria os olhos para a infinita quantidade de decisões a tomar onde a inexistência de um guia gratificava-o pelo olhar trezentos e sessenta graus que a cada passo era obrigado a dar para a escolha do passo seguinte, ninguém lhe podia cobrar coerência a vivia passo a passo, tinha noção clara que o tempo e o espaço eram as únicas verdades que o definia desde que reduzidos à ocasião.

    Apesar de respeitar e estudar todas para ele nesse instante, tão somente nesse instante, nunca seria parte integrante de uma entidade religiosa, conceito que estendia para professar qualquer tipo de fé.


     Não se esgota aí esse caminhar, seguirei a contar-lhes seus passos, se assim lhes interessar...      

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