Talvez quem me
acompanhe de perto estranhe meu depoimento que desacredita a instituição
família quando me vê frequentemente acompanhado de um ou mais dos meus quatro
filhos, frutos benditos de minhas duas longas experiências familiares, ou ainda
de minhas irmãs e sobrinhos consequência direta ou indireta da família
originada por meus pais, é fato frequentemente repetido o usufruir juntos de um
café expresso ou sitiar uma mesa de cerveja em um simples bar sempre repartindo
em igualdade a opinião, a filosofia e a vida, não tão eventualmente me encontre
também acompanhado deles a percorrer a feira orgânica do Bom Fim na nossa
cidade de Porto Alegre, partilhando momentos nas nossas especiais salas de
cinema a celebrar filmes e não raro lermos e ouvirmos poesia juntos em um sarau,
sim desde que me conheço por gente estive envolvido em família inicialmente na
gerada por meus pais e em continuação nas que me candidatei a construir.
Através da
personagem criança, Betinha (Cristina Pereira),
a diretora Ana Carolina em seu primeiro filme de ficção “Mar de Rosas” (1977),
que pude assistir em meados de 2016 graças à programação
da Sala Redenção, película dirigida nos anos setenta que oportuniza discutir a
questão família, um filme bem a cara da década na qual ela o concebeu e dirigiu,
apresenta seus personagens em constante movimento refletindo a característica
da sociedade daqueles tempos, a ideia de buscar repensar o homem e sua relação
com a comunidade está fortemente presente, em especial naquele Brasil recheado
de autoritarismo com uma crescente contestação popular interna contra a sua prática.
Muito de meu
agrado é a análise, como foi proposta pela diretora, da relação entre as
instituições família e estado, acredito que a primeira, o núcleo familiar, na
prática funciona como campo de provas para os futuros comportamentos no da segunda,
a organização nacional, sendo a família um legítimo estado em miniatura com
todos os seus problemas e soluções, muito embora ainda estivéssemos em tempos
de censura, impedimento claro para referenciar diretamente o autoritarismo do
governo, as situações e estruturas que envolvem os viajantes de maneira
implícita denunciam este fato, podemos até falar em uma premonição desta
desestruturação que hoje vemos de toda a organização social em nossa terra e no
mundo, o poder exercido em sua crueza e violência.
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